EM CHAMA
GRÃO-DE-LOBO Põe o ferrolho à porta: há rosas na casa. Há sete rosas na casa. Há o candelabro de sete braços na casa. O nosso filho sabe isso e dorme. (Lá longe, em Michailowka, na Ucrânia, onde eles me mataram pai e mãe: que floria aí, que floresce aí? Que flor, mãe, com o seu nome, mãe, a ti, que dizias grão-de-lobo , e não lupino? Ontem veio um deles e matou-te outra vez no meu poema. Mãe, mãe, que mão apertei eu quando as tuas palavras fui para a Alemanha? Em Aussig, dizias tu sempre, em Aussig junto ao Elba, durante a fuga. Mãe, aí moravam assassinos. Mãe, eu escrevi cartas. Mãe, não veio resposta. Mãe, veio uma resposta. Mãe, eu escrevi cartas a - Mãe, eles escrevem poemas. Mãe, eles não os escreveriam se não fosse o poema que eu escrevi, por ti, pelo amor do teu Deus. Bendito, dizias tu, seja o Eterno, e louvado, três vezes Amen. Mãe, eles ficam calados. Mãe, eles consentem que a ignomínia me difame. Mãe, ninguém cala a boca aos assassinos. Mãe, eles escrevem poemas....