COMPLEXIDADE DA VIDA HUMANA, PRESENTE NAS SUAS METAMORFOSES (DE MARIA LUÍSA PEDROSO LIMA A ANTÓNIO DAMÁSIO)
Complexidade da vida humana, presente nas suas metamorfoses O que dizemos quando dizemos “eu”? A questão demanda tanto uma resposta filosófica, quanto psicológica: poderíamos afirmar, com Maria Luísa Pedroso de Lima (em Nós e os outros. O poder dos laços sociais , FFMS, Lisboa, 2018, p.19), que as identidades pessoais (o “eu”) podem ser vistas como as histórias que construímos e contamos acerca de nós e que definem quem somos para nós e para os outros . E são histórias , porque têm muito de ilusório, de inventado e de reconstruído a posteriori (este “inventado”, “ilusório”, “reconstruído” não significa mentir deliberadamente; significa que as histórias por que passámos são interiormente interpretadas e configuradas de certo jeito, a que chamamos nosso; é o modo como vemos, como pensamos que as coisas foram; Kant distinguia, de resto, entre númeno – as coisas em si, a que não temos acesso – e fenómeno – as coisas como elas se apresentam para nós,...