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QUE "POLÍTICA DECENTE"? (MICHAEL WALZER)

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  Escrito durante a pandemia, apenas com acesso à biblioteca de casa, “A luta por uma política decente”, sem notas de rodapé (ainda que com bibliografia), procura ser uma viagem pessoal – judaísmo, academia, social-democracia, comunitarismo liberal… - do filósofo Michael Walzer pelos grandes tópicos da política contemporânea   1 .Da mesma forma que Jason Brennan em “Contra a democracia” ( Gradiva , 2017), relativamente ao vocábulo “epistocracia” -  seja social-democrata , mas um social-democrata epistocrata ( conhecedor ), seja um democrata-cristão , mas seja um democrata-cristão epistocrata ( conhecedor )…-, Michael Walzer , em “A luta por uma política decente” ( Gradiva , 2023) usa como adjectivo o “liberal” que tanto apõe a comunitarista , como a conservador , nacionalista ou socialista – seja um comunitarista , mas um comunitarista liberal ; seja um conservador , mas um conservador liberal , seja um socialista mas um socialista liberal , seja nacionalista , mas...

DO ESPÍRITO DE BENEVOLÊNCIA FACE ÀS RAZÕES DO OUTRO

  Do ' espírito de benevolência ' face às razões do outro 1 .Uma senhora ucraniana que passava muitas vezes aqui pela rua, junto á casa, há mais de uma década, comentava connosco: “vós, portugueses, sóis muito engraçados: quando passais por alguém, dizeis, ‘então, como está?’ e prosseguis marcha sem ouvir, sequer, a resposta da pessoa”. O querer saber do outro, na maioria dos casos, parecia-lhe uma figura de estilo, uma convenção dessubstancializada, inoperativa. Atualmente, um dos tópicos, qual flor à lapela, para contar o tempo presente passa por dizer, repetindo à exaustão, que as pessoas se encontram fechadas em bolhas, só escolhem redes (de contactos) que reforcem os seus pontos de vista (e preconceitos), não conhecendo, nem o pretendendo fazer, as razões, os argumentos, as perspectivas diversas das suas (de partida) – e isto, apesar de existirem, também, estudos que não corroboram, face à presença humana no digital nomeadamente, esta certeza absoluta. Sucede que, ao publ...

CONTORNOS E AMBIGUIDADES DE UMA ERA SECULAR (I) (CHARLES TAYLOR)

  contornos e ambiguidades de uma era secular De que tonalidades se faz um tempo? Não se furtará este a delimitadas fronteiras que procuram captá-lo (capturá-lo) com absoluta nitidez? E não avançamos, nós, também, para ele, para o tempo (furtivo), com categorias e esquemas rígidos de classificação (pré-formatados)? De resto, estaremos nós, habitantes deste tempo, em condições bastantes para o cartografar, seja porque gostaríamos de nos afastar para que a sua imagem refulgisse com insuperável transparência (e contingente é a nossa condição), seja porque procedemos a comparações que implicam colocarmo-nos em tempos remotos, épocas nas quais nos adentramos, necessariamente, com certa timidez, prudência e cautela? E será, este, ainda, um tempo uniforme, ou, como raramente sucedeu em universos menos interdependentes, temos a exata noção de como vivemos, à escala global, tempos diferentes, penetrados por colorações de sentido divergente?        ...