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NÉLSON RODRIGUES E A ARTE DA FRASE

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  A prova de que não precisamos de subscrever boa parte de uma prosa para nela nos deleitarmos, seguirmos a volúpia, exercício hedonista, escrita que nos prende e contagia, encontra-se no volume de crónicas de  Nélson Rodrigues , agora finalmente publicado em Portugal - pouca coisa do autor havia chegado até nós, apesar das referências quase míticas que o seu nome sempre rumorejava -, selecção de  Pedro Mexia , sob o título  O homem fatal  (Tinta da China, 2016). Trata-se da " arte da frase ", como escreve  Abel Barros Baptista , e de um humor soberano, seguro, fatal. Sem condescendências, nem indolência. Vital. Por exemplo, sobre os inúmeros feriados, pontes, momentos de ociosidade dos brasileiros, Nélson Rodrigues sentencia, com a magnífica impenitência de quem assesta uma  fatwa  necessária, caricatura que na hipérbole, junta crónica de costumes a uma reivindicação do literário, o exagero necessário para criar distância e civilidade: " O brasil...

UMA EDITORA VISTA POR DENTRO: O CASO DA “ZIGURATE”, DE/POR CARLOS VAZ MARQUES

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  Com o concurso de algumas poupanças por si acumuladas ao longo dos anos, e com vista a permitir a presença, no mercado editorial nacional, de obras e autores que gostaria de ver vertidos para português, Carlos Vaz Marques lançou-se à aventura de criar uma editora , a “Zigurate” (depois de ter sido, já, responsável editorial por uma chancela/coleção de literatura de viagens e ter dirigido a edição portuguesa da “Granta”). Os Zigurates foram os primeiros edifícios sólidos construídos pela Humanidade, dispostos em altura de tal modo pudessem rasar o Céu, alguns dos quais, em périplos pelo Médio-Oriente e Extremo-Oriente, Vaz Marques pôde observar. Ademais, o vocábulo, “zigurate”, “soa bem” (“pelo menos a mim, soa-me bem”, diz-nos, em “Entre quem lê” [Vila Real, 27-09-2025], o autor de “Pessoal e Transmissível”, programa radiofónico de culto, na primeira década deste século) e é facilmente memorizável, em virtude, também, da raridade com que é usado. Exemplo de zigurate , a To...

CONVINCENTE ESTREIA DRAMATÚRGICA DE PEDRO MEXIA, COM 'SUÉCIA', NO TEATRO NACIONAL DE SÃO JOÃO

  CONVINCENTE ESTREIA DRAMATÚRGICA DE PEDRO MEXIA, COM ‘SUÉCIA’, NO TEATRO NACIONAL DE SÃO JOÃO Não admira, assistindo a ‘Suécia’, que Pedro Mexia se afirme mais afeiçoado aos diálogos do que à intriga – no teatro, no cinema, na literatura… –, tão bem trabalhadas e centrais (nesta sua peça) as falas (as personagens gostam da dialética em si mesma [“ aqui discute-se muito, fala-se muito, mas nada se resolve ”], por isso preferem, até, ser contrariadas (pelas outras personagens), porque isso lhes permite a contra-resposta , a refutação , a réplica , o jogo (retórico – e, porventura, ainda, aí resida a permanente referência “ aos teus sofistas ”, dirigida a Egerman que, depois de um conjunto de catilinárias contra a social-democracia , acaba indiferente ao desfecho eleitoral das legislativas no seu país que, após mais de 40 anos ininterruptos em que governos s ocial-democratas estiveram na liderança dos destinos públicos suecos (1932-1976), se vêem relegados do poder pelo partid...