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GONÇALO M. TAVARES E A SABEDORIA, NO "ENTRE QUEM LÊ", EM VILA REAL

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  Se Proust recobria a cortiça o quarto/sala manto de silêncio crucial ao seu devir literário, à leitura e escrita que o preenchiam diariamente, a demanda, em 2025, para poder usufruir de um ambiente propício à escuta do nuclear é a do desligar da internet por umas horas. Gonçalo M. Tavares necessita de estar só, em silêncio, recolhimento de quatro quotidianas horas, só aí mergulha no tempo e o reconhece (tacteando-o, enquanto partícipe daquele): “só a partir das 2h da tarde passo a gostar de humanos”. Ser intelectual nos séculos XIX e XX “era brincadeira de crianças” comparado com a disciplina (ascética) necessária, nestes alvores da centúria XXI , a prosseguir os mesmos fins, em virtude não apenas da multiplicação e abrangência de conhecimento(s), mas, essencialmente, face à parafernália tecnológica, mais gratificante emocional e imediatamente (do que a dedicação ao profundo), que distrai. A virtude que o escritor, cujo primeiro livro foi publicado em 2001, traduzido em inúmera...

SEM RELATIVISMOS

  Bombardeamentos em carpete de ruas inteiras que provocaram a morte de centenas de pessoas inocentes são tão inaceitáveis como o ataque do Hamas. Porque, de duas, uma: ou introduzimos valores universais na avaliação dos acontecimentos desta guerra, ou relativizamos .  Se relativizarmos, quem “compreende” a barbárie do Hamas em nome do direito da Palestina a ter um Estado tem de aceitar a “barbárie” de Israel em nome da defesa do Estado que tão arduamente construiu. Se formos intransigentes na defesa de valores, temos de condenar tanto o massacre do Hamas como um massacre de Israel .  Para lá chegar, vale a pena distinguir a natureza das partes em conflito (...) Para se concluir que há acções que se podem esperar do Hamas mas não de Israel. Por muito bárbaro que seja Israel, e tem-no sido, em Telavive ainda sobrevive uma réstia de democracia, de liberdades civis e de dissidências que lutam por valores; por muita razão de protesto que tenha o Hamas, em Gaza prevalece um re...