GONÇALO M. TAVARES E A SABEDORIA, NO "ENTRE QUEM LÊ", EM VILA REAL
Se Proust recobria a cortiça o quarto/sala manto de silêncio crucial ao seu devir literário, à leitura e escrita que o preenchiam diariamente, a demanda, em 2025, para poder usufruir de um ambiente propício à escuta do nuclear é a do desligar da internet por umas horas. Gonçalo M. Tavares necessita de estar só, em silêncio, recolhimento de quatro quotidianas horas, só aí mergulha no tempo e o reconhece (tacteando-o, enquanto partícipe daquele): “só a partir das 2h da tarde passo a gostar de humanos”. Ser intelectual nos séculos XIX e XX “era brincadeira de crianças” comparado com a disciplina (ascética) necessária, nestes alvores da centúria XXI , a prosseguir os mesmos fins, em virtude não apenas da multiplicação e abrangência de conhecimento(s), mas, essencialmente, face à parafernália tecnológica, mais gratificante emocional e imediatamente (do que a dedicação ao profundo), que distrai. A virtude que o escritor, cujo primeiro livro foi publicado em 2001, traduzido em inúmera...