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GONÇALO M. TAVARES E A SABEDORIA, NO "ENTRE QUEM LÊ", EM VILA REAL

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  Se Proust recobria a cortiça o quarto/sala manto de silêncio crucial ao seu devir literário, à leitura e escrita que o preenchiam diariamente, a demanda, em 2025, para poder usufruir de um ambiente propício à escuta do nuclear é a do desligar da internet por umas horas. Gonçalo M. Tavares necessita de estar só, em silêncio, recolhimento de quatro quotidianas horas, só aí mergulha no tempo e o reconhece (tacteando-o, enquanto partícipe daquele): “só a partir das 2h da tarde passo a gostar de humanos”. Ser intelectual nos séculos XIX e XX “era brincadeira de crianças” comparado com a disciplina (ascética) necessária, nestes alvores da centúria XXI , a prosseguir os mesmos fins, em virtude não apenas da multiplicação e abrangência de conhecimento(s), mas, essencialmente, face à parafernália tecnológica, mais gratificante emocional e imediatamente (do que a dedicação ao profundo), que distrai. A virtude que o escritor, cujo primeiro livro foi publicado em 2001, traduzido em inúmera...

COMENTÁRIO À SITUAÇÃO

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  1 .Pressupondo, em especial, a leitura de George Steiner ou de Rob Riemen , em ensaio que, prescindindo da ambição de vários dos escritos daqueles autores sobre o estado da cultura ocidental, se concentra, em bom combate , na realidade educativa portuguesa, António Carlos Cortez , em “ O fim da educação – crise, crítica, ensino e utopia ” ( Guerra e Paz , 2025), professor de Literatura Portuguesa e de Português nos ensinos Secundário e Superior , poeta, crítico literário , deixa um conjunto de contundentes incisos e considerandos acerca da escola portuguesa , a merecerem séria ponderação de uma inteira comunidade, dos quais destacaria os seguintes: i) após doze anos de escolaridade, escreve-se, frequentemente, muito mal no (final do) Ensino Secundário e, não raro, no Ensino Superior – e, neste, não apenas no primeiro ciclo de estudos ; ii) à intensidade da aposta, na última década, em matéria de métodos pedagógicos , na gamificação do ensino, não notou o autor, bem ao in...

QUE PALAVRAS UM LIVRO OCULTA, QUE SILÊNCIOS UM LIVRO SUPLICA (GEORGE STEINER)

  Que palavras um livro oculta, que silêncios um livro suplica. George Steiner Alguns dos  topos  fundamentais que perpassaram o pensamento e a obra de George Steiner podem encontrar-se, condensados, em um breve, mas luminoso ensaio,  O silêncio dos livros  ( Gradiva , 2012), que assina com Michel Crépu , e que, um ano após a sua morte, nos permitem evocar o grande Professor de Humanidades e nos exortam à releitura da sua obra Magistralmente paradoxal, a duas mãos, com a inconfundível voz de George Steiner, ressoa a clássico o renovado grito  O Silêncio dos Livros , acrescido da resposta  Esse Vício ainda impune , de Michel Crépu. O exercício de Steiner procura desconstruir  o livro  e o autor; explica, expõe, desnuda  o escritor  e o exercício de autoridade que este reclama para si sempre que escreve (só pelo facto de escrever) – “no texto escrito (…) está presente um grau máximo de autoridade (…) O simples facto de escrever, de l...

UMA EDUCAÇÃO DE VISTAS LARGAS (GEORGE STEINER)

  UMA EDUCAÇÃO DE VISTAS LARGAS Reparem na autobiografia de George Steiner . Detenham-se na infância. Vejam como, todos os Sábados, o pai o levava pela mão aos museus de Paris, primeiro, e Nova Iorque, mais tarde, de acordo com o local onde foram morando – gerúndio propositado para explicar o nomadismo e diáspora judias, dos quais faziam parte, na primeira parte do século XX. Reparem, reparem no pormenor: a senhora, pequenina, escocesa, que vinha ensinar e ler Shakespeare , com o jovem Steiner. Aproximem a lupa: o menino a ler Homero no original. Educação trilingue : francês, inglês e alemão. E, logo-logo, o grego. Decorado. Um saber de cor é , também, um saber de coração – ensinara-nos o Professor de Oxford. Errata – revisões de uma vida perpassa os temas recorrentes no pensamento, na obra, na vida de Steiner, mas é sobretudo esta infância – esta infância de letras, de memorização, de línguas mortas, de museus, de desafio intelectual permanente – que me interessa. E inter...