DO ESPÍRITO DE BENEVOLÊNCIA FACE ÀS RAZÕES DO OUTRO
Do ' espírito de benevolência ' face às razões do outro 1 .Uma senhora ucraniana que passava muitas vezes aqui pela rua, junto á casa, há mais de uma década, comentava connosco: “vós, portugueses, sóis muito engraçados: quando passais por alguém, dizeis, ‘então, como está?’ e prosseguis marcha sem ouvir, sequer, a resposta da pessoa”. O querer saber do outro, na maioria dos casos, parecia-lhe uma figura de estilo, uma convenção dessubstancializada, inoperativa. Atualmente, um dos tópicos, qual flor à lapela, para contar o tempo presente passa por dizer, repetindo à exaustão, que as pessoas se encontram fechadas em bolhas, só escolhem redes (de contactos) que reforcem os seus pontos de vista (e preconceitos), não conhecendo, nem o pretendendo fazer, as razões, os argumentos, as perspectivas diversas das suas (de partida) – e isto, apesar de existirem, também, estudos que não corroboram, face à presença humana no digital nomeadamente, esta certeza absoluta. Sucede que, ao publ...