"O FILHO DO CARPINTEIRO"
«Aqui o carrasco trava a carroça: O melhor dos amigos deve partir. À vossa saúde me despeço: Vivei rapazes, não tarda morro. «Oh, se tivesse ficado em casa Preso ao labor de meu pai, Se me tivesse agarrado à plaina E ao enxó, não estaria perdido. «Às tantas ainda havia construído Forcas pra outros gajos, Ao invés de estar aqui, pendurado, Oh, se tivesse ficado mal, a sós. Agora, vês como me erguem Lá no alto, enquanto passam, Apertam as mãos, rogam-me pragas; E o meu estado vai de mal a pior. «Eis-me aqui, pendurado, junto A estes dois pobres condenados Por roubo: a sorte é a mesma, Só que um está enforcado por amor. Vede camaradas, sem distinção, Cuidai de seguir distinto caminho; Vede o meu pescoço, salvai o vosso; Deixai o mal em paz, se possível. «Encontrai um fim decente, Sede mais astutos que eu. Fiquem bem, que eu passo mal; «Vivei, rapazes, não tarda morro». A.E. HOUSMAN , "O Filho do carpinteiro", tr...