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FILMAÇO - "FOI SÓ UM ACIDENTE"

  Da capacidade do particular se fazer universal: o que fazemos com quem nos fez profundamente mal? Como convivemos com o passado intensamente ferido? Em quem nos podemos transformar se formos, agora, o verdugo (“ a premissa - homens e mulheres vitimados invertem os papéis com os seus algozes – é a essência do direito e da cultura ”, Manohla Dargis )? De que modo o mal (e o desejo de vingança) nos pode capturar e colonizar? (“ podemos ser livres sem compaixão ?”, Elsa Fernández ). Enquanto dão voltas e voltas (absurdo) à cidade, à espera que Godot decida a justa reacção a Eghbal , torcionário do regime (responsabilidade individual e colectiva unidas, ainda que Panahi aponte, sobretudo, ao sistema: numa outra estrutura, este homem seria diferente, agiria de outra maneira), a vontade de o comer vivo, a consciência culpada de o fazer (perda da alma, mas possibilidade real de no futuro o próprio sistema os devorar pela réplica dos crimes por si perpetrados), o dilema do perdão (nunca...