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QUE MUNDO EM 2048?

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  QUE MUNDO EM 2048? Da conferência de Alfons Cornella , hoje, ao início da noite, no Salão Nobre da Casa de Mateus , sobre o mundo, a emergir e a configurar, em 2048 , quatro ou cinco notas de tendências que o especialista em Inovação , diretor do Institute of Next , sublinhou: - Vem surgindo, já, e com relevância e peso económico na China, nomeadamente, uma “ indústria de baixa altitude ” – que tende para incrementar-se, largamente, nos próximos anos e décadas. Trata-se da economia gerada por aeronaves, drones, tripulados ou não, a uma altitude de 500 metros , sensivelmente ( até 1000 metros ), englobando um vasto conjunto de serviços em âmbitos como: logística e entregas (mercadorias entregues através de drones), transporte de pessoas , (com recurso possível a táxis aéreos); agricultura (aplicação de pesticidas, por exemplo, através de drones); vigilância e segurança ; turismo (voos para desfrute da paisagem); - “ Ikoino Saron ” – em virtude, muito em particular, dos efeitos...

NÓS, PORTUGUESES, MAR PROFUNDO – OU COMO D.MANUEL CLEMENTE NOS RETRATA

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  O mote de “Portugal e os Portugueses”, de D. Manuel Clemente , Bispo do Porto, historiador, Prémio Pessoa 2009, não deixa de encerrar uma dimensão paradoxal de que é feita, como Chesterton sabia, a verdade – em vez de uma infinita capacidade de adaptação, nós, portugueses, demonstramos uma (quase) impossibilidade de deixarmos de ser quem somos (pág.9); mas o que somos é uma plasticidade dos outros, de todos os outros – mouros e judeus, moçárabes e galegos, nórdicos - que nos deram origem. De tal sorte que “ não temos de nos adaptar por aí além, porque já temos dentro e acumulados os infinitos aléns que nos formaram (…) já não é propriamente adaptação, antes conaturalidade ” (pág.13). A relação dos portugueses com o sagrado, os portugueses (também) enquanto crentes, (os) portugueses porque crentes, em grande medida o cerne do retrato de Manuel Clemente, cabe, desde logo, no olhar para o próprio país, na pré-compreensão “bíblica” de Portugal: uma entidade “portadora de alma” e ...

POR QUE REDUNDOU EM DEMOCRACIA A REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1974?

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  1 .Percurso transcorrido, democracia como acquis  (sempre precário, sempre precário…), há interrogações que deixamos, inopinada e inconscientemente, cair, delas não nos abeiramos; ignoramos, porventura, mesmo, que existam. A própria academia , no que a revoluções  concerne, mais se detém nas causas do que em demanda vai das consequências  daquelas (o pós-revolução ). Digamo-lo, então, em definitivo, com todas as letras: historicamente, a maioria das revoluções  não deu origem a democracias ; “ a literatura [de ciência   política ] tem sobretudo destacado a variedade de regimes não democráticos que emergem após uma crise revolucionária: ditaduras militares mobilizadoras e expansionistas (designadamente, o sistema napoleónico), regimes de partido único ou regimes que restauram a ordem política anterior, ou seja, contrarrevolucionários ” ( Tiago Fernandes , “Portugal 1974-1975. Revolução, Contrarrevolução e Democracia”, FFMS , 2024 p.22). Insistindo, e em sí...

Diferença entre economia de mercado e sociedade de mercado

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  "Actualmente, quase tudo está à venda. (...) Uma cela de prisão mais cómoda: 82 dólares por noite . Em Santa Ana, na Califórnia, e noutras cidades, os delinquentes não violentos podem pagar por melhores instalações: uma cela limpa e sossegada, afastada das ocupadas pelos reclusos não pagantes. Se és aluno do segundo ano de escolaridade numa escola de Dallas com uma taxa de sucesso reduzida, lê um livro: dois dólares.  Por forma a incentivar o hábito de leitura, as escolas pagam aos miúdos por cada livro que lêem. Michael Sandel ,  O que o dinheiro não pode comprar. Os limites morais dos mercados , Presença, Lisboa, 2015, p.13. Porque é errado que (quase) tudo possa ser vendido e comprado? Michael Sandel encontra, sobretudo, duas razões para considerar aquela realidade como nefasta: desigualdade e corrupção. Se tudo estiver no âmbito de uma possível compra/venda, se tudo for  mercantilizável , então a importância da riqueza passa a ser ainda maior (e quem tem menos ...

IDENTIFICAÇÃO DE UM PAÍS. JOSÉ MATTOSO

  Identificação de um país . José Mattoso   Quantas nações cabem em um país? A reedição do clássico Identificação de um país ( Temas e Debates , 2015), do Professor José Mattoso, serve de mote à revisitação de um Portugal uno, mas com diversidade bem acentuada entre o Norte montanhoso com uma alma muito sua, sem direito a grandes interferências, liberdade arcaica reivindicada sem pejo, e um Sul de planícies mais fáceis de atravessar e onde o compósito se forma nas diferentes trocas. Partindo da constatação de como, de modo praticamente uniforme, desde 1975, Norte e Sul votam de modos opostos, e com Orlando Ribeiro evocado, José Mattoso recua no tempo, no clima, na orografia e busca continuidades que ainda nos expliquem: pensamos no Norte de montanhas íngremes, isolamento imposto ou conquistado durante tempos a fio, liberdade, também, pois claro, concentração populacional, conservadorismo de quem não acolhe, por sinuoso ser, ainda, o caminho, muitos estrangeiros; arcaísmo de c...

DAS CONDIÇÕES DOS RECLUSOS (PEDRO PROSTES DA FONSECA)

  Da condição de recluso Entre  2008 e 2016 , registaram-se  121 suicídios  nas  prisões portuguesas .  A esta realidade, extremamente pesada, somam-se  70 agressões a guardas-prisionais , entre  2014 e 2016 , por parte de detidos.  Embora a  lei  estabeleça o  carácter excepcional do alojamento comum , em realidade, apenas em dois ou três estabelecimentos prisionais portugueses se observam celas destinadas a um preso ;  em 46 prisões ,  há camaratas . Em perfeito contraste, na Alemanha, todos os presos têm a chave da sua cela, que é sempre individual, e os guardas recebem formação de dois anos em Psicologia .  A  toxicodependência  é, ainda, e muito, infelizmente,  condição habitual   atrás das grades , lugar, na visão de vários ex-reclusos,  despido de afectos  (e  a prisão torna as pessoas muito carentes, em termos afectivos ), no qual a tensão entre a  salvaguarda en...