A CIVILIZAÇÃO DO PEIXE-VERMELHO (BRUNO PATINO)
« A civilização do peixe-vermelho»? [1] 1.Eis o peixe-vermelho a deambular pelo aquário (que o atrofia). Nas inúmeras voltas que dá, por entre um sorriso deslumbrado da criança que o observa, pela primeira vez, prenda natalícia, no seu exterior, o peixe-vermelho não consegue fixar a atenção durante mais do que 8 segundos (o exato resultado, segundo o cálculo dos engenheiros da Google ). 2.E, contudo, o peixe-vermelho não se distingue demasiado desse outro olhar que o fixa: são 9 os segundos de atenção que os membros da geração Y , aquela que nasceu com a conexão permanente e um ecrã táctil sob os dedos, alcançam. Se, com irónica crueldade, e na metáfora que já se antevê, Bruno Patino poderá dizer que “ a memória do peixe-vermelho, longe de ser uma maldição, é, para ele, uma bênção, que transforma a repetição em novidade e a pequenez de uma prisão no infinito de um mundo ” (pp.12-13), o humano assim formatado também no oceano do scroll das redes sociais será, agora liter...