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A CIÊNCIA POLÍTICA NÃO EXPLICA TRUMP: A PERPLEXIDADE DE ADAM PRZEWORSKI

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  A Ciência Política não explica Trump . A perplexidade de Adam Przeworski Há um desafio epistemológico que deixa o decano de Ciência Política aterrado : e se os instrumentos – as estatísticas , os inquéritos , os questionários , toda a sorte de estudos coligidos durante décadas – a que a sua disciplina se ateve (até ao presente) se mostra(re)m incapazes / insuficientes de/para rastrear o significado derradeiro do que politicamente está em causa num país como os EUA ? Estupefacto com o que quotidianamente observa e regista nos seus Diários (Fevereiro-Julho de 2025) acerca da (degradação da) vida política/democrática durante o (segundo) mandato Trump , o autor/ cientista duvida mesmo, agora, da teorização (própria) sobre as condições de existência e permanência de uma democracia , teses que elaborou, paciente e diligentemente, ao longo de um robusto trabalho académico. As conclusões extraídas, durante esse processo e labor, partindo de um pensamento indutivo são, actu...

POR QUE REDUNDOU EM DEMOCRACIA A REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1974?

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  1 .Percurso transcorrido, democracia como acquis  (sempre precário, sempre precário…), há interrogações que deixamos, inopinada e inconscientemente, cair, delas não nos abeiramos; ignoramos, porventura, mesmo, que existam. A própria academia , no que a revoluções  concerne, mais se detém nas causas do que em demanda vai das consequências  daquelas (o pós-revolução ). Digamo-lo, então, em definitivo, com todas as letras: historicamente, a maioria das revoluções  não deu origem a democracias ; “ a literatura [de ciência   política ] tem sobretudo destacado a variedade de regimes não democráticos que emergem após uma crise revolucionária: ditaduras militares mobilizadoras e expansionistas (designadamente, o sistema napoleónico), regimes de partido único ou regimes que restauram a ordem política anterior, ou seja, contrarrevolucionários ” ( Tiago Fernandes , “Portugal 1974-1975. Revolução, Contrarrevolução e Democracia”, FFMS , 2024 p.22). Insistindo, e em sí...

O CREPÚSCULO DA DEMOCRACIA? ANNE APPLEBAUM

  O crepúsculo da democracia? Anne Applebaum 1. Na biblioteca, cada vez mais numerosa, sobre a emergência de democracias iliberais durante a última década, em diferentes zonas do globo, O crepúsculo da democracia , de Anne Applebaum, historiadora, premiada, do Gulag, politóloga, académica na London School of Economics Institute of Global Affairs e colunista em algumas das mais prestigiadas publicações internacionais (do Washington Post à The Atlantic ), cidadã ideologicamente filiada em uma direita liberal clássica (de feição thatcherista ), procura dar o seu específico contributo para o esclarecimento das condições sob as quais é possível a democracia perecer (em um dado país). 2. Por muito que uma realidade seja intelectualmente consabida por um sujeito (ou por um povo), há circunstâncias históricas que a tornam como que palpável (sentida, compreendida na integralidade), obrigando a um re-conhecimento (outro), impossibilitando qualquer estado de negação (ou letargia/apatia)...

DANI RODRIK POR UM DOWNGRADE DA GLOBALIZAÇÃO, OU A EMERGÊNCIA DO CAPITALISMO 3.0

  Dani Rodrik por um downgrade da globalização, ou a emergência do capitalismo 3.0 Prémio Princesa das Astúrias para as Ciências Sociais, em 2020, Dani Rodrik marca a década pelo “rigor na análise da dinâmica da globalização”, bem como por procurar contribuir para que o sistema económico “seja mais sensível às necessidades da sociedade” (como justificou o júri a escolha do galardoado). Tais predicados observam-se de modo vincado na sua obra “O paradoxo da globalização”, na qual expõe o trilema de uma época: mais democracia, mais auto-determinação nacional e maior integração dos mercados, em simultâneo, não será possível e implica escolhas decisivas a realizar. Não poucos observarão neste livro o captar, antecipado, de tensões sociais e escolhas disruptivas do ponto de vista político que se sucederam, nesta década, a nível mundial, talvez porque poucos tivessem tido a lucidez de perceber esta mesma (tripla) equação e de lhe oferecer uma resposta socialmente sustentável. 1 -Glob...