Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Luís Vaz de Camões

RELICÁRIO

Imagem
  Teatro Nacional de São João repleto, na noite de ontem, para assistir à ópera-bufa "Relicário Perpétuo" - inserida, ainda, na celebração dos 500 anos de Camões - com música de Luís Tinoco, direcção musical de Joana Carneiro , libreto de Luísa Costa Gomes e encenação de Nuno Carinhas .  "É um dos problemas que o 'Relicário' põe: o que é que se pretende? Que Camões faça parte do Relicário ou do Cânone? Provavelmente, é uma simplificação, mas Cânone soa a regra viva, Relicário, a devoção retórica. O Cânone devia significar que Camões está vivo porque é lido e não porque está morto e ressequido, visitado em romagem de saudade. Se está vivo, não há saudade nenhuma" ( Luísa Costa Gomes ) "A partitura é também um Relicário de soluções e de articulações musicais. Se eu estivesse a fazer uma peça puramente instrumental, sem qualquer texto associado ou elemento teatral extramusical, não iria talvez pegar em algumas relíquias que transportei para esta partit...

OBSESSÕES E OUTROS ERROS

Imagem
1. Aponta-se, comummente, o facto de “ Os Lusíadas ”, de Luís Vaz de Camões , encerrarem com a palavra “ inveja ”, e visto o poema ter “a reputação de ser sobre Portugal”, para se deduzir aquela como a “ característica mais portuguesa do país ”. Essa observação, porém, como nota Miguel Tamen (“Erro Extremo – III”, Tinta da China , 2025), não pode deixar de confrontar-se com o facto de “ Os Maias ”, de Eça de Queiroz , acabar com “ subia ”, “Menina e Moça”, de Bernardim Ribeiro , terminar com “ LAUS DEO ”, ou “A Morgadinha dos Canaviais”, de Júlio Dinis , finar com “ A Morgadinha dos Canaviais ”. Isto significa que para a inferência assinalada poder proceder ter, desde logo, que i) se conferir “ um valor descritivo menor ” às obras vindas de mencionar face a “Os Lusíadas”, ii) em qualquer dos casos, contudo, medida a “fiabilidade” da aferição do “carácter nacional” pelo derradeiro dos vocábulos apostos neste(s) escrito(s). E esse é, efectivamente, um problema dificilmente superável...

LENDO AS DUAS MAIS RECENTES BIOGRAFIAS DE CAMÕES - E REGISTANDO AS LIÇÕES DE FREDERICO LOURENÇO SOBRE O TEMA

Imagem
    1 .Se Bill Bryson surpreendeu tudo e todos quando, depois de deixar sucessivas obras extremamente volumosas, na biografia que elaborou de William Shakespeare se ficou pelas 180 páginas – “é que só tenho três documentos acerca dele…” [1] -, sobre a vida de Luís Vaz de Camões prosseguem extensas peregrinações declinadas em livros de monta. E, no entanto, o que sabemos, com segurança , da vida de Camões, no registo de Frederico Lourenço , é que i) foi preso em 1552; ii) partiu/embarcou para a Índia em 1553 (documento, uma carta régia de perdão a Camões - por uma briga, perto do Rossio, na qual feriu um empregado do rei -, na Torre do Tombo , atesta-o); iii) voltou do Oriente em 1569 (data referida pelos dois primeiros biógrafos de Camões e “relativamente segura”); iv) a obra-prima “Os Lusíadas” foi publicada em 1572; v) morreu a 10 de Junho de 1580 (temos nota, de 1582 e redescoberto no século XIX, na Torre do Tombo que prova que Camões morreu nesta data, com renov...