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UM 'SUICÍDIO IDEOLÓGICO'

  "Os conservadores foram e são mais relevantes tanto na defesa quanto na erosão da democracia do que se poderia pensar. O atual desaparecimento do centro e da moderação, a toxicidade e a polarização da esfera pública, devem-se em grande parte à virtual extinção dos conservadores: à descaracterização da direita italiana por Berlusconi , à irrelevância do gaullismo francês após Sarkozy , à frivolidade instável dos Tories britânicos, ao desaparecimento dos conservadores no Partido Republicano controlado por Trump , para citar apenas alguns exemplos. Sem os conservadores, esse elemento de estabilidade e previsibilidade, tão importante para que a democracia proporcione a necessária medida de mudança e longevidade, fica enfraquecido. A ambição transformadora limitada dos conservadores torna-os menos atraentes, mas eles conseguiram moderar a resistência à mudança entre muitas pessoas receosas, levando-as a aceitar inovações graduais. É claro que os conservadores não são entusiastas do ...

DE REGRESSO À UNIVERSIDADE

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1.Eça de Queiroz entrou para Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1861, após o exame de admissão , no qual o domínio do francês pareceu requisito único, evocado, assim, pelo próprio, em O Francesismo : “E foi tudo óptimo, recitei o meu Racine , tão nobremente como se Luís XIV fosse lente, apanhei o meu nemine e, à tarde, uma tarde quente de Agosto, comi com delícia a minha travessa de arroz-doce na estalagem do Paço do Conde”. Ao futuro bacharel seria atribuído o número 124, o que significava que se sentaria nos bancos de trás durante as aulas: “ ali, mais do que se seguir as aulas, jogavam-se as cartas, conversava-se, liam-se os jornais. O Direito pouco o interessava, os lentes menos ainda ” ( Maria Filomena Mónica , A Universidade , Relógio d’Água , 2026, p.36). Tímido, leitor compulsivo (“ devorou, numa sofreguidão confusa , Balzac , Nerval , Hugo , Proudhon , Heine ”), vagamente místico até então, metido a casa, Eça faria poucos amigos nos primeiros anos de facul...

HOJE, NO 'FOLHA DE SÃO PAULO'

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'ANATOMIA DO ESTADO DO MUNDO'

  Nicole Gnesotto [NG] : Mas a verdadeira surpresa foi a aliança entre Donald Trump e os multimilionários da tecnologia que estavam por detrás dele, e que eram praticamente todos . É isso que distingue esta eleição da primeira, em 2016. Quando foi eleito pela primeira vez, Trump era um homem quase só, eleito quase por acaso. Da segunda vez, tratou-se de algo bem pensado, preparado desde há muito por toda uma série de ideólogos , é um conjunto muito heterogéneo , mas todos estão convencidos de que a democracia já não corresponde aos seus interesses . São essas pessoas que, a meu ver, estão por detrás da vitória de Trump. Manuel Maria Carrilho [MMC] : Todos eles acusam a democracia de ser um “empecilho” à liberdade, eles concebem a liberdade e a democracia como incompatíveis , Peter Thiel afirma-o há muito, claramente. NG : É isso, Peter Thiel afirmou: “ Não acredito que a liberdade e a democracia sejam compatíveis .” (…). Existia nos Estados Unidos um forte movimento contrarr...