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DOCUMENTÁRIO DA SEMANA: "MR. NOBODY AGAINST PUTIN"

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  1. Um novo currículo “patriótico” chega às escolas russas no (imediato) pós-invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022. Entoação de hinos, reescrita da história, bandeirinhas da Federação Russa a rodos, exercícios marciais tomam conta da vida da escola e dos que a habitam: alunos, professores, diretores, funcionários diversos. Somos colocados perante várias filmagens em sala de aula (da remota cidade mineira de Karabash , nos Montes Urais ): a professora que tropeça, múltiplas vezes, nas palavras da propaganda, que desconhece, não está habituada a usar, os vocábulos são(-lhe) manifestamente estranhos ao (que era o) dia-a-dia escolar - « desmilitarização », « desnazificação » - de tal modo que, agora que é obrigada a reproduzi-los, se vê na contingência de os repetir uma e outra vez até serem verdadeiramente pronunciáveis (para devidamente ficarem registadas nas filmagens que farão prova, conforme ordem do Ministério da Educação , de que a escola segue as diretrizes da tutela); o...

DOS REGIMES EM QUE VIVEMOS: DE DEMOCRACIAS A MEDIARQUIAS

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  1. No fim da noite eleitoral, o sábio regressa para, incontáveis vezes, nos recordar que, ao votar, “o país não disse isto ou aquilo”, não há uma “deliberação em conjunto” [do/pelo país], cada um dos milhões de eleitores votou com as suas (singulares) razões , emoções , motivações (não sendo possível, pois, extrair uma leitura comum, do significado da votação, a todos estes). Diferentemente, Yves Citton ( La machine à faire gagner les droites , publicado, entre nós, recentemente, pelas Edições 70) : nem o país emanou um sentido unívoco do seu voto, nem cada cidadão eleitor a dizer de sua justiça; há, somos/integramos, antes, “públicos”, formados/formatados por medias – que funcionam como estruturas mentais e comunidades interpretativas - sendo, neste âmbito, decisivo compreender, por consequência, que “públicos” forma, afinal, a infra-estrutura mediática tal qual se encontra hoje concebida/estabelecida (hegemonicamente), de pouco adiantando tomar a maquinação , quando aqu...

OLHARES SOBRE O MUNDO

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    “Toda a política é, inexoravelmente, internacional, mesmo que o paroquialismo de muitos líderes políticos continue a imperar” (Bernardo Pires de Lima)   1. A quando do mais recente alargamento da NATO , com Suécia e Finlândia a passarem a integrar aquela Organização , o posicionamento da Rússia, sem sobressalto algum, foi o de desvalorizar aquelas adesões, apesar de as mesmas acarretarem mais uns milhares de quilómetros de fronteiras da Federação Russa com tal entidade. Ora, tal desvalorização pode ser lida, como Bernardo Pires de Lima a lê (“O ano zero da nova Europa”, Tinta da China , 2024), enquanto evidência de que a Rússia, em realidade, não toma a NATO como uma ameaça – ou, mais rigorosamente, que a Federação Russa não interpreta a Organização do Tratado do Atlântico Norte enquanto risco para a sua segurança interna, nem se auto-compreendeu como sendo um alvo militar, em registo ofensivo ( pró-activo , e não reactivo ), por parte da NATO . Diversamente, poré...