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DOS REGIMES EM QUE VIVEMOS: DE DEMOCRACIAS A MEDIARQUIAS

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  1. No fim da noite eleitoral, o sábio regressa para, incontáveis vezes, nos recordar que, ao votar, “o país não disse isto ou aquilo”, não há uma “deliberação em conjunto” [do/pelo país], cada um dos milhões de eleitores votou com as suas (singulares) razões , emoções , motivações (não sendo possível, pois, extrair uma leitura comum, do significado da votação, a todos estes). Diferentemente, Yves Citton ( La machine à faire gagner les droites , publicado, entre nós, recentemente, pelas Edições 70) : nem o país emanou um sentido unívoco do seu voto, nem cada cidadão eleitor a dizer de sua justiça; há, somos/integramos, antes, “públicos”, formados/formatados por medias – que funcionam como estruturas mentais e comunidades interpretativas - sendo, neste âmbito, decisivo compreender, por consequência, que “públicos” forma, afinal, a infra-estrutura mediática tal qual se encontra hoje concebida/estabelecida (hegemonicamente), de pouco adiantando tomar a maquinação , quando aqu...

OLHARES SOBRE O MUNDO

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    “Toda a política é, inexoravelmente, internacional, mesmo que o paroquialismo de muitos líderes políticos continue a imperar” (Bernardo Pires de Lima)   1. A quando do mais recente alargamento da NATO , com Suécia e Finlândia a passarem a integrar aquela Organização , o posicionamento da Rússia, sem sobressalto algum, foi o de desvalorizar aquelas adesões, apesar de as mesmas acarretarem mais uns milhares de quilómetros de fronteiras da Federação Russa com tal entidade. Ora, tal desvalorização pode ser lida, como Bernardo Pires de Lima a lê (“O ano zero da nova Europa”, Tinta da China , 2024), enquanto evidência de que a Rússia, em realidade, não toma a NATO como uma ameaça – ou, mais rigorosamente, que a Federação Russa não interpreta a Organização do Tratado do Atlântico Norte enquanto risco para a sua segurança interna, nem se auto-compreendeu como sendo um alvo militar, em registo ofensivo ( pró-activo , e não reactivo ), por parte da NATO . Diversamente, poré...

OBSESSÕES E OUTROS ERROS

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1. Aponta-se, comummente, o facto de “ Os Lusíadas ”, de Luís Vaz de Camões , encerrarem com a palavra “ inveja ”, e visto o poema ter “a reputação de ser sobre Portugal”, para se deduzir aquela como a “ característica mais portuguesa do país ”. Essa observação, porém, como nota Miguel Tamen (“Erro Extremo – III”, Tinta da China , 2025), não pode deixar de confrontar-se com o facto de “ Os Maias ”, de Eça de Queiroz , acabar com “ subia ”, “Menina e Moça”, de Bernardim Ribeiro , terminar com “ LAUS DEO ”, ou “A Morgadinha dos Canaviais”, de Júlio Dinis , finar com “ A Morgadinha dos Canaviais ”. Isto significa que para a inferência assinalada poder proceder ter, desde logo, que i) se conferir “ um valor descritivo menor ” às obras vindas de mencionar face a “Os Lusíadas”, ii) em qualquer dos casos, contudo, medida a “fiabilidade” da aferição do “carácter nacional” pelo derradeiro dos vocábulos apostos neste(s) escrito(s). E esse é, efectivamente, um problema dificilmente superável...