A PROPÓSITO DE “A DISTÂNCIA”, DE TIAGO RODRIGUES
1. Em palco, o cenário de uma Terra desolada, devastada por vários colapsos, a face que, da outra parte da moeda, remete a Marte. 2. A cadência, o ritmo gerado por frases sempre curtas e incisivas, interpretadas por Adama Diop (pai) e Alison Deschamps (filha), com o tom da urgência do decisivo, acentua o contorno do tempo (finito), da mortalidade a reclamar a intensidade das relações (vivências) humanas (por antonomásia, a relação pai/filha), aquela roda livre (o palco giratório no countdown até Amina perder a memória, o braço de ferro do pai para tentar convencê-la a regressar à Terra, “tantas coisas para consertar, tantas lutas para fazer. Aqui, podes fazer a diferença”), a mil à hora, redemoinho sobre o proscénio, amor desorbitado que escapa à lógica, voltas ao sol cumpridas com a velocidade furiosa de um certo desespero de incompreensão, da dádiva libertadora que aceita, finalmente, a escolha, a vida, a mundividência, a liberdade do outro. Que, numa palavra, o outro sej...