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E A SELVA AQUI TÃO PERTO

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1. Muitas horas antes de a Administração Trump experimentar, sequer, balbuciar algum tipo de motivação/justificação para o ataque ao Irão, já muitos se ufanavam a ilustrar-nos com as suas teses (particulares) acerca do mesmo (como se não fosse necessária, ou fosse indiferente, explicação alguma, pela Administração Trump , acerca do sucedido para sabermos por que o ataque se tinha dado). Quando, finalmente, Donald Trump , Marco Rubio ou Pete Hegseth se pronunciaram acerca do porquê do ataque ao Irão fizeram-no de modo tão confuso e contraditório, de forma tão insensata que, em poucos dias, somavam, já, 4 indicações diferentes (viriam a somar-se outras seis, entretanto) como o que os impeliu à guerra, o que em ordem cronológica, e em menos de 7 dias, foram as seguintes: 1) a necessidade de eliminar o programa nuclear iraniano; 2) neutralizar o programa de mísseis balísticos e a Marinha iraniana; 3) o Irão iria atacar primeiro os EUA e era preciso antecipar-se a esse ataque; 4) Is...

DISCERNIMENTO

  “ SE SE CONCEDESSE AOS ESTADOS O DIREITO À GUERRA PREVENTIVA SEGUNDO OS SEUS PRÓPRIOS CRITÉRIOS E SEM UM MARCO JURÍDICO SUPRANACIONAL, O MUNDO INTEIRO CORRERIA O RISCO DE ESTAR EM CHAMAS . As aspirações dos povos devem ser levadas em consideração e garantidas dentro de um quadro jurídico de uma sociedade que assegura a todos a liberdade e a expressão pública de suas ideias, e isso também se aplica ao querido povo iraniano. Ao mesmo tempo, podemos nos perguntar se realmente se acredita que a solução possa vir através do lançamento de mísseis e bombas. Refiro-me ao fato de haver casos em que a Comunidade internacional se indigna e toma medidas, e casos em que não o faz, ou o faz muito menos, dando a impressão de que há violações do direito que devem ser punidas e outras que devem ser toleradas, vítimas civis que devem ser deploradas e outras que devem ser consideradas "danos colaterais". Não há mortes de primeira e segunda classe, nem há pessoas que tenham um direito maio...

DA ESPERANÇA

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  1. A esperança é definida pelo Oxford English Dictionary como “ uma sensação de confiança ”; sentimento de expectativa e desejo - não se aludindo, nesta acepção do vocábulo, à incerteza. Na dilucidação do que se trata quando nos referimos à esperança, importará, pois, de imediato, distinguir entre spes quae ( esperar que ) e spes qua ( ter esperança ). É, notoriamente, diferente alguém esperar que lhe saia o euromilhões , do que ter esperança em sair de uma situação difícil de vida em que se encontre (nos domínios da saúde, profissão ou outra). Neste âmbito se poderá entrever/avançar e proceder, pois, com Terry Eagleton ( Esperança sem optimismo , Unesp , São Paulo, 2023), a uma diferenciação entre optimismo e esperança : o optimismo é fácil, faltando-lhe o compromisso corajoso que a esperança exige. O optimismo, observa o filósofo, é autossuficiente – acredito que vai correr tudo bem e ninguém me convencerá do contrário – e, portanto, resiste a ser refutado; a esperan...

DOCUMENTÁRIO DA SEMANA: "MR. NOBODY AGAINST PUTIN"

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  1. Um novo currículo “patriótico” chega às escolas russas no (imediato) pós-invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022. Entoação de hinos, reescrita da história, bandeirinhas da Federação Russa a rodos, exercícios marciais tomam conta da vida da escola e dos que a habitam: alunos, professores, diretores, funcionários diversos. Somos colocados perante várias filmagens em sala de aula (da remota cidade mineira de Karabash , nos Montes Urais ): a professora que tropeça, múltiplas vezes, nas palavras da propaganda, que desconhece, não está habituada a usar, os vocábulos são(-lhe) manifestamente estranhos ao (que era o) dia-a-dia escolar - « desmilitarização », « desnazificação » - de tal modo que, agora que é obrigada a reproduzi-los, se vê na contingência de os repetir uma e outra vez até serem verdadeiramente pronunciáveis (para devidamente ficarem registadas nas filmagens que farão prova, conforme ordem do Ministério da Educação , de que a escola segue as diretrizes da tutela); o...

DOS REGIMES EM QUE VIVEMOS: DE DEMOCRACIAS A MEDIARQUIAS

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  1. No fim da noite eleitoral, o sábio regressa para, incontáveis vezes, nos recordar que, ao votar, “o país não disse isto ou aquilo”, não há uma “deliberação em conjunto” [do/pelo país], cada um dos milhões de eleitores votou com as suas (singulares) razões , emoções , motivações (não sendo possível, pois, extrair uma leitura comum, do significado da votação, a todos estes). Diferentemente, Yves Citton ( La machine à faire gagner les droites , publicado, entre nós, recentemente, pelas Edições 70) : nem o país emanou um sentido unívoco do seu voto, nem cada cidadão eleitor a dizer de sua justiça; há, somos/integramos, antes, “públicos”, formados/formatados por medias – que funcionam como estruturas mentais e comunidades interpretativas - sendo, neste âmbito, decisivo compreender, por consequência, que “públicos” forma, afinal, a infra-estrutura mediática tal qual se encontra hoje concebida/estabelecida (hegemonicamente), de pouco adiantando tomar a maquinação , quando aqu...