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'ANATOMIA DO ESTADO DO MUNDO'
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Nicole Gnesotto [NG] : Mas a verdadeira surpresa foi a aliança entre Donald Trump e os multimilionários da tecnologia que estavam por detrás dele, e que eram praticamente todos . É isso que distingue esta eleição da primeira, em 2016. Quando foi eleito pela primeira vez, Trump era um homem quase só, eleito quase por acaso. Da segunda vez, tratou-se de algo bem pensado, preparado desde há muito por toda uma série de ideólogos , é um conjunto muito heterogéneo , mas todos estão convencidos de que a democracia já não corresponde aos seus interesses . São essas pessoas que, a meu ver, estão por detrás da vitória de Trump. Manuel Maria Carrilho [MMC] : Todos eles acusam a democracia de ser um “empecilho” à liberdade, eles concebem a liberdade e a democracia como incompatíveis , Peter Thiel afirma-o há muito, claramente. NG : É isso, Peter Thiel afirmou: “ Não acredito que a liberdade e a democracia sejam compatíveis .” (…). Existia nos Estados Unidos um forte movimento contrarr...
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E ECONOMIA
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Esta tarde, na Casa de Mateus , pelo ciclo “ Diálogos sobre cultura e sociedade ”, Arlindo Oliveira , presidente do INESC , e Óscar Afonso , diretor da Faculdade de Economia do Porto , apresentaram e debateram com Pedro Magalhães , Miguel Brito , João Barroso e Fontaínhas Fernandes , moderados por António Cunha , os livros “A inteligência artificial generativa” e “Economia, Inovação e Inteligência Artificial” que os dois autores publicaram na FFMS . Algumas das ideias deixadas na sessão de hoje: [ Óscar Afonso ] - O facto de o padrão de especialização da economia portuguesa assentar, em uma parte substancial, no turismo não permite que a Inteligência Artificial alavanque o crescimento da mesma forma (com a mesma intensidade e ganhos de produtividade) do que sucede em países do Leste da Europa, nos quais o padrão de especialização assenta na indústria transformadora; - Desde 2019 (até ao presente), a média do crescimento económico português foi de 1,8% ao ano, se...
LAMAS DE OLO (FOTOGRAFIA DE DUARTE BELO)
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" Lamas de Olo, Vila Real, fotografia tirada em 2023. Uma imagem intrigante e ambígua. À primeira vista, o Portugal refractário, aquele que subsiste e resiste à mudança, encontra-se no canastro coberto de neve, do lado esquerdo, e na casa de pedra (uma capela mortuária), do lado direito. O grande acto de «resistência», porém, parece ser o da habitação amarela ao centro, com escadaria pelo exterior e janelas de alumínio. É ela, de facto, a que melhor exprime a vontade ou o inconformismo de continuar a viver no interior do país, contra tudo e contra todos. Morar em Lamas de Olo, Vila Real, no ano de 2023, tem laivos de militância, é quase um gesto político, uma atitude rebelde. Num azulejo minúsculo, encimando a escadaria, Nossa Senhora de Fátima abençoa tal façanha. A parabólica da varanda é só mais um adereço de modernidade, a juntar a muitos outros, facilmente detectáveis a olho nu " António Araújo , "Portugal refractário. Um país entre o imobilismo e a mudança",...
FOLHADELA
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"Fui autorizado e mudei-me para Vila Real para preparar as eleições [constituintes, de 1975]. Foi uma aprendizagem fabulosa porque conheci todas aquelas aldeias (...) e numa dessas vezes fui a uma escola primária numa aldeia, Folhadela, onde a minha mãe tinha vivido quando era criança. A escola não tinha luz eléctrica, estavam lá umas senhoras de idade com uns xailes pretos - a imagem cinematográfica italiana perfeita dos anos 1920 e 1930. Entrei, fui cumprimentando as pessoas, e quando passei junto das duas senhoras ouço uma dizer: 'Podemos votar neste, que é filho da Céuzinha'. A frase ficou para sempre na minha cabeça, pois era o melhor resumo de um programa político e da situação portuguesa de então. (...) Para minha 'honra', [na Constituinte] ainda cheguei a votar no hemiciclo um dos artigos que mais barulho deu, o que interditava total e definitivamente a pena de morte. Em Portugal, há a convicção de que fora abolida no século XIX, mdepois restaurada e nova...
A PROPÓSITO DE “A DISTÂNCIA”, DE TIAGO RODRIGUES
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1. Em palco, o cenário de uma Terra desolada, devastada por vários colapsos, a face que, da outra parte da moeda, remete a Marte. 2. A cadência, o ritmo gerado por frases sempre curtas e incisivas, interpretadas por Adama Diop (pai) e Alison Deschamps (filha), com o tom da urgência do decisivo, acentua o contorno do tempo (finito), da mortalidade a reclamar a intensidade das relações (vivências) humanas (por antonomásia, a relação pai/filha), aquela roda livre (o palco giratório no countdown até Amina perder a memória, o braço de ferro do pai para tentar convencê-la a regressar à Terra, “tantas coisas para consertar, tantas lutas para fazer. Aqui, podes fazer a diferença”), a mil à hora, redemoinho sobre o proscénio, amor desorbitado que escapa à lógica, voltas ao sol cumpridas com a velocidade furiosa de um certo desespero de incompreensão, da dádiva libertadora que aceita, finalmente, a escolha, a vida, a mundividência, a liberdade do outro. Que, numa palavra, o outro sej...
NO "ENTRE QUEM LÊ", MODERANDO CONVERSA COM RUI LAJE
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Do gosto de participar nas coisas da cidade e dos livros. No "Entre quem lê", em diálogo com o poeta Rui Laje . Vila Real, 23 de Setembro de 2026, nos claustros do antigo Governo Civil. De Rui Laje, no “Posfácio” a “Física Espiritual”, o Professor Arnaldo Saraiva , leitor muito atento da sua obra, diz tratar-se do “maior acontecimento da poesia portuguesa do século XXI (…) Depois da morte dos melhores poetas ativos nos meados e fins do século XX – Nemésio, Jorge de Sena, Sophia, Eugénio de Andrade, Cesariny, O’Neill, Herberto, Ruy Belo… - tínhamos a sensação da existência de algum vazio ou de alguma orfandade na poesia portuguesa. Hoje podemos anunciar sem titubeios – esta antologia bastará para o confirmar – que um novo grande poeta chegou no início do século XXI à poesia portuguesa”.