DOS REGIMES EM QUE VIVEMOS: DE DEMOCRACIAS A MEDIARQUIAS
1. No fim da noite eleitoral, o sábio regressa para, incontáveis vezes, nos recordar que, ao votar, “o país não disse isto ou aquilo”, não há uma “deliberação em conjunto” [do/pelo país], cada um dos milhões de eleitores votou com as suas (singulares) razões , emoções , motivações (não sendo possível, pois, extrair uma leitura comum, do significado da votação, a todos estes). Diferentemente, Yves Citton ( La machine à faire gagner les droites , publicado, entre nós, recentemente, pelas Edições 70) : nem o país emanou um sentido unívoco do seu voto, nem cada cidadão eleitor a dizer de sua justiça; há, somos/integramos, antes, “públicos”, formados/formatados por medias – que funcionam como estruturas mentais e comunidades interpretativas - sendo, neste âmbito, decisivo compreender, por consequência, que “públicos” forma, afinal, a infra-estrutura mediática tal qual se encontra hoje concebida/estabelecida (hegemonicamente), de pouco adiantando tomar a maquinação , quando aqu...