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DOS REGIMES EM QUE VIVEMOS: DE DEMOCRACIAS A MEDIARQUIAS

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  1. No fim da noite eleitoral, o sábio regressa para, incontáveis vezes, nos recordar que, ao votar, “o país não disse isto ou aquilo”, não há uma “deliberação em conjunto” [do/pelo país], cada um dos milhões de eleitores votou com as suas (singulares) razões , emoções , motivações (não sendo possível, pois, extrair uma leitura comum, do significado da votação, a todos estes). Diferentemente, Yves Citton ( La machine à faire gagner les droites , publicado, entre nós, recentemente, pelas Edições 70) : nem o país emanou um sentido unívoco do seu voto, nem cada cidadão eleitor a dizer de sua justiça; há, somos/integramos, antes, “públicos”, formados/formatados por medias – que funcionam como estruturas mentais e comunidades interpretativas - sendo, neste âmbito, decisivo compreender, por consequência, que “públicos” forma, afinal, a infra-estrutura mediática tal qual se encontra hoje concebida/estabelecida (hegemonicamente), de pouco adiantando tomar a maquinação , quando aqu...

QUE REPRESENTAÇÃO E QUE REPRESENTANTES POLÍTICOS?

  OUTRAS IDEIAS: QUE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA? Em diferentes democracias, existindo, no conjunto da população, cerca de 40% de não diplomados , depois, nas assembleias nacionais, nos parlamentos, nas câmaras, a percentagem de pessoas em tal condição ascende a 5% ou 10% dos (nossos) representantes . Na Grécia Antiga, o sorteio para a escolha de representantes em cargos políticos durou certo lapso de tempo – e para aqueles que aceitavam ou se candidatavam a nele participar, como informa Rui Graça Feijó . Durante os anos da 'Grande Recessão', e quando a tecnocracia ou a epistocracia voltou a postular-se como alternativa à democracia, e com vista a uma ampla escuta e participação de sectores sociais que tendem a não estar presentes em deliberações fundamentais da polis – apesar de todos os “Orçamentos Participativos”, “Parlamentos Jovens”, “Conselhos Municipais da Juventude”…que, muitas vezes, diga-se, tendem, ainda, a reforçar grupos, já de si, advindos de meios com maior background...

O OFÍCIO NECESSÁRIO E INESGOTÁVEL DE PENSAR A POLÍTICA

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  O ofício necessário e inesgotável de pensar a política 1 .Será que podemos subsumir o modo de encarar a liberdade pelos antigos – quero participar nos assuntos da cidade – e dos modernos – não me incomodem [com assuntos da polis ] que quero dedicar-me aos meus interesses/negócios privados – a uma atitude de esquerda e direita , respetivamente, face à liberdade , como, mutatis mutandis , parece elaborar Daniel Innerarity , em A   Liberdade Democrática ( Relógio d’Água , 2024)? A democracia está, exclusivamente, sob ameaça interna , daqueles que após a conquista, por via eleitoral, do poder, a distorcem no desrespeito pela separação de poderes , no ataque aos reguladores , no colocar em causa media independentes , no postergar direitos de diferentes minorias presentes na sociedade, ou, em realidade, como o caso brasileiro demonstra, o golpe de estado clássico foi (é), mesmo, uma possibilidade (e já que Innerarity viu mais em perigo os que atacaram o Capitólio do que c...