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OLHARES SOBRE O MUNDO

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    “Toda a política é, inexoravelmente, internacional, mesmo que o paroquialismo de muitos líderes políticos continue a imperar” (Bernardo Pires de Lima)   1. A quando do mais recente alargamento da NATO , com Suécia e Finlândia a passarem a integrar aquela Organização , o posicionamento da Rússia, sem sobressalto algum, foi o de desvalorizar aquelas adesões, apesar de as mesmas acarretarem mais uns milhares de quilómetros de fronteiras da Federação Russa com tal entidade. Ora, tal desvalorização pode ser lida, como Bernardo Pires de Lima a lê (“O ano zero da nova Europa”, Tinta da China , 2024), enquanto evidência de que a Rússia, em realidade, não toma a NATO como uma ameaça – ou, mais rigorosamente, que a Federação Russa não interpreta a Organização do Tratado do Atlântico Norte enquanto risco para a sua segurança interna, nem se auto-compreendeu como sendo um alvo militar, em registo ofensivo ( pró-activo , e não reactivo ), por parte da NATO . Diversamente, poré...

DA POLÍTICA, NA TERCEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI

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1. Seja pelo natural cepticismo que reiteradas afirmações do absoluto ineditismo e do extraordinário que, alegadamente, recobririam cada momento de nossa época (o “nunca visto”, o “maior de sempre”, o “inultrapassável” tomados, não raro, enquanto manifestações de um trivial propagandear, ou de um narcisismo larvar), seja porque, incrustados, naturalmente, no preenchido e acelerado quotidiano da terceira década do século XXI possa ser difícil, senão impossível, ganhar distanciamento bastante face à mesma para poder apreendê-la na sua globalidade, talvez não nos tenhamos dado exatamente na conta de que vivemos em uma época «revolucionária», inclusive “ uma das épocas mais revolucionárias ” de que temos notícia (normalmente, só mais tarde assim consciencializada/enquadrada e vertida nos manuais de História, e não imediatamente notada, e anotada, enquanto tal. Uma dessas épocas que evocamos quando falamos em “Revolução Industrial”, ou “Revolução Francesa”, por exemplo). Em realidade, est...

O CREPÚSCULO DA DEMOCRACIA? ANNE APPLEBAUM

  O crepúsculo da democracia? Anne Applebaum 1. Na biblioteca, cada vez mais numerosa, sobre a emergência de democracias iliberais durante a última década, em diferentes zonas do globo, O crepúsculo da democracia , de Anne Applebaum, historiadora, premiada, do Gulag, politóloga, académica na London School of Economics Institute of Global Affairs e colunista em algumas das mais prestigiadas publicações internacionais (do Washington Post à The Atlantic ), cidadã ideologicamente filiada em uma direita liberal clássica (de feição thatcherista ), procura dar o seu específico contributo para o esclarecimento das condições sob as quais é possível a democracia perecer (em um dado país). 2. Por muito que uma realidade seja intelectualmente consabida por um sujeito (ou por um povo), há circunstâncias históricas que a tornam como que palpável (sentida, compreendida na integralidade), obrigando a um re-conhecimento (outro), impossibilitando qualquer estado de negação (ou letargia/apatia)...