"A ZONA DE INTERESSE", DE JONHATAN GLAZER
A ZONA DE INTERESSE , DE JONATHAN GLAZER O pai extremoso que conta histórias às crianças ao deitar – mas narrativas ancestrais germânicas, nas quais há bruxas a queimar, lugares quiméricos o dos arianos que se encontram prontos a lançar um fogo “purificador” ao “outro”, num contorno, portanto, ainda ambíguo [a pureza de embalar os meninos no ocaso do dia e os mitos de “fogo” nesse embalo; cultos pagãos que veremos perpetuarem-se durante os dias de Oswiecim] e que lança a fronteira paraíso / inferno omnipresente no filme (aqui, nessa construção sonho-defunto que justifica, para o casal, qualquer “sacrifício” [seu e, fundamentalmente, dos humanos aos quais colocam termo], de um lugar idílico colado a uma linha de montagem da morte de humanos, evidentemente, um paraíso absolutamente obsceno) -, o melómano que remete a concertos de música clássica a que assistiu recentemente (e o homem lido, deitado no sofá com o respectivo volume nas mãos, assim o encontramos por casa, que nã...