NÉLSON RODRIGUES E A ARTE DA FRASE
A prova de que não precisamos de subscrever boa parte de uma prosa para nela nos deleitarmos, seguirmos a volúpia, exercício hedonista, escrita que nos prende e contagia, encontra-se no volume de crónicas de Nélson Rodrigues , agora finalmente publicado em Portugal - pouca coisa do autor havia chegado até nós, apesar das referências quase míticas que o seu nome sempre rumorejava -, selecção de Pedro Mexia , sob o título O homem fatal (Tinta da China, 2016). Trata-se da " arte da frase ", como escreve Abel Barros Baptista , e de um humor soberano, seguro, fatal. Sem condescendências, nem indolência. Vital. Por exemplo, sobre os inúmeros feriados, pontes, momentos de ociosidade dos brasileiros, Nélson Rodrigues sentencia, com a magnífica impenitência de quem assesta uma fatwa necessária, caricatura que na hipérbole, junta crónica de costumes a uma reivindicação do literário, o exagero necessário para criar distância e civilidade: " O brasil...