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O REGRESSO DE PEDRO BURMESTER ÀS 'VARIAÇÕES GOLDBERG', DE BACH

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  Pedro Burmester não escutou a primeira gravação que fez das Variações Goldberg , em 1989, antes de, agora, proceder a nova revisitação daquele Bach . Só após esta se encontrar concluída, regressou ao seu registo primeiro, ainda muito marcado pela interpretação e a figura tutelar de Glenn Gould . O que mais temia, neste instante, não era que pudesse vir a achar(-se) que a interpretação agora concluída fosse pior do que a original – evidentemente, o mesmo quanto a poder considerar-se melhor o novo registo do que o anterior. O que lhe causaria dano, sim, seria deparar-se com uma, mesmo que inconsciente, repetição . Por vezes, tem saudades da inocência com que se confrontou, pela primeira vez, com as Variações Goldberg ; considera, contudo, que a nova interpretação que delas fez é muito mais íntima , pessoal , madura , singular , sem a presença, maciça, pois, nela, do pianista canadiano que reverenciava aos vinte e seis anos. Fátima Pombo , Professora da Universidade de Avei...

"EL LOCO DE DIOS E EL LOCO SIN DIOS"

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  1 .”Louco de Deus” foi como Francisco de Assis (1181-1226) se retratou. Jorge Bergoglio é o primeiro Papa a escolher Francisco , remetendo a il poverello , como nome que utilizará enquanto Sumo Pontífice (remontando a uma tradição , a de se utilizar como Papa nome diverso daquele com que se nasce, que recua ao século XI ). E na medida em que surge, à boa maneira do que conta Arendt acerca da surpresa de quem no Vaticano encontrou em João XXIII um verdadeiro cristão (na cadeira de Pedro ), enamorado de Cristo e agindo de tal maneira que, na diferenciação e escândalo sobre o operar habitual (assim, cristão, se revelando), supondo, aliás, como verdade última a ressurreição da carne e a vida eterna , Javier Cercas identifica o Papa Francisco como “o louco de Deus”. Em rigor, como no-lo mostrará ao longo de “El loco de Dios en el fin del mundo” ( Random House , 2025) não apenas o Papa, mas, também e muito especialmente, os seus “soldados”, a fortiori os missionários , “ o lado...

«COM TODA A SEGURANÇA», "E SE O IMPOSSÍVEL É CERTO?"

  O Vaticano convidou um dos mais prestigiados escritores espanhóis na atualidade, Javier Cercas , para acompanhar o Papa Francisco em visita à Patagónia . O intelectual ateu e anticlerical acabou por aceitar para poder levar à mãe, católica de toda uma vida, a resposta, pelo próprio Sumo Pontífice, acerca da ressurreição e da verdade do encontro da progenitora com o seu marido pós-mortem. No regresso a Barcelona, junto à sua esposa e a uma mãe já debilitada pelo progresso que a doença de Alzheimer induz no cérebro daquela, Javier Cercas projecta o vídeo do momento da viagem de avião em que confronta Francisco com a questão/fé da sua mãe. Em “ El louco de Dios en el fin del mundo ”, que acaba de sair, Javier Cercas narra da seguinte forma o sucedido:   “«Santidade», falei então. «Já lho disse antes: a minha mãe acredita na ressurreição da carne e na vida eterna; acredita que, depois de morta, voltará a ver o meu pai. A Igreja prometeu-lho ». «E a mim também», acrescentou...