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NOS 100 ANOS DA MORTE DE FRANZ KAFKA

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  KAFKA , MAIS COMPLEXO DO QUE ISSO Ainda no âmbito das comemorações dos 100 anos da morte de Kafka (que nos propusemos evocar), ao António ficou acometida a leitura de "O Processo". Fê-lo, com afinco e brio, na penúltima pausa do ano letivo, e discutimo-lo, com tempo, de seguida. Foi, por isso, com redobrado gosto que o exortei e vi assumir, com garbo e 'profissionalismo', a moderação e as perguntas ao Dr. Pedro Ferreirinha , ilustre transmontano e homem do Direito, que publicara, na 'Scientia Iuridica", da Escola de Direito da Universidade do Minho , artigo estimulante acerca do livro que agora nos detinha. No paper “Direito e Literatura Contributos sobre Justiça à luz de ‘O Processo’, de Kafka”, publicado em “Scientia Iuridica”, revista de Direito da Universidade do Minho, Pedro Ferreirinha, Doutorando em Ciências Jurídico-Públicas e já docente na UCP-Porto e na Universidade Portucalense , recorda como a Joseph K., “ preso sem ter cometido qualquer cr...

PRIMO LEVI (II)

  1 .Num texto de 1987 para o La Stampa , inserto em “ Os que sucumbem e os que se salvam ”, Primo Levi escreve que existindo uma « diferença moral e jurídica entre quem faz e quem deixa fazer », as forças ocidentais, embora bombardeando várias cidades alemãs e polacas, nunca detonaram as linhas ferroviárias que impedissem a continuação do transporte e extermínio de pessoas, mesmo no estertor nazi: “ e também é verdade que a falta de auxílio dos Aliados se deveu a razões sórdidas, nomeadamente ao medo de ter de alojar e manter milhões de refugiados ou sobreviventes ”. 2 .O termo “holocausto” nunca agradou a Primo Levi, considerando-o “inadequado, retórico e sobretudo errado”. Shoah foi a palavra institucionalizada pelo Knesset em 1951 para descrever os massacres dos judeus pelos nazis. 3 .A “metade racional” de Primo Levi considera “não natural” a poesia, embora primordial face à prosa e fundamental para transmitir, em primeiro impulso, a experiência por que passara. À rig...