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SOB O SIGNO DA LIBERDADE: HÉLIA CORREIA, NA ABERTURA DA VI EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO DO DOURO

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  SOB O SIGNO DA LIBERDADE: HÉLIA CORREIA, NA ABERTURA DAS VI EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO DO DOURO, NO ESPAÇO MIGUEL TORGA, EM SÃO MARTINHO DE ANTA Da conferência de Hélia Correia, hoje, ao fim da tarde, perante um auditório com mais de meia centena de cidadãos, algumas notas do que nos disse: - Não é, apenas, que a imagem da democracia como planta que precisa de ser sistematicamente regada, às tantas, se gasta; é que “a democracia não é uma planta, porque não é natural”; a democracia é, antes, artificial, quer dizer, é obra humana, servida pela arte, pela palavra, como as tragédias em Atenas. “A democracia não está no ambiente, não é imagem do mar, das florestas, dos animais: é uma construção da inteligência e da bondade humanas”; elaboração da nossa mente sempre ameaçada pelos “impulsos bárbaros da selva”; em suma, “se nos basta um regador, um dia acordamos amarrados”; - A isonomia - igualdade de todos perante a lei - e a rotatividade do poder , todos os cargos a poderem/de...

A PRIMEIRA MISÉRIA

  Sim, foi essa A primeira miséria, a deserção Dos deuses. A segunda, a sua morte, Já na morte de Pã anunciada Pelo lamento dos bosques, o clamor Lutuoso das ilhas do Egeu. Esse grito o escutou o outro Friedrich, Dionysos de seu nome, o europeu, O anunciador, o que caminha Sobre águas estagnadas e parece, Ao afundar-se, desenhar no lodo Um mapa para o qual não há leitura.   Hélia Correia ,  A Terceira Miséria , p.24.