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QUE REPRESENTAÇÃO E QUE REPRESENTANTES POLÍTICOS?

  OUTRAS IDEIAS: QUE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA? Em diferentes democracias, existindo, no conjunto da população, cerca de 40% de não diplomados , depois, nas assembleias nacionais, nos parlamentos, nas câmaras, a percentagem de pessoas em tal condição ascende a 5% ou 10% dos (nossos) representantes . Na Grécia Antiga, o sorteio para a escolha de representantes em cargos políticos durou certo lapso de tempo – e para aqueles que aceitavam ou se candidatavam a nele participar, como informa Rui Graça Feijó . Durante os anos da 'Grande Recessão', e quando a tecnocracia ou a epistocracia voltou a postular-se como alternativa à democracia, e com vista a uma ampla escuta e participação de sectores sociais que tendem a não estar presentes em deliberações fundamentais da polis – apesar de todos os “Orçamentos Participativos”, “Parlamentos Jovens”, “Conselhos Municipais da Juventude”…que, muitas vezes, diga-se, tendem, ainda, a reforçar grupos, já de si, advindos de meios com maior background...

'A DERROTA DO OCIDENTE', SEGUNDO EMMANUEL TODD

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  1 .Temos observado como a procura de explicações para o voto do antigo “operariado” em partidos populistas de direita tem dado origem a uma vasta literatura (por exemplo, entre 1980 e 2017 foram dedicados ao estudo da Frente Nacional [ Reunião Nacional ] 210 livros). Em A derrota do Ocidente ( Principia , 2025), Emmanuel Todd chega à conclusão de que, a Ocidente, a última fase da globalização transformou o antigo “ proletariado explorado ” em “ plebe exploradora ” - dos proletários da China, Bangladeche, Magrebe. Há, pois, uma mudança sociológica a preceder e impender sobre uma mudança eleitoral – note-se, quanto ao caso português, nas últimas décadas, a diminuição do sector primário e industrial e o crescimento do sector terciário e como tal influiu na perda eleitoral do PCP: “tanto os trabalhadores industriais, principalmente da periferia de Lisboa, como os trabalhadores agrícolas dependentes (assalariados) constituíam a principal base de apoio do partido. Contudo, t...

Diferença entre economia de mercado e sociedade de mercado

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  "Actualmente, quase tudo está à venda. (...) Uma cela de prisão mais cómoda: 82 dólares por noite . Em Santa Ana, na Califórnia, e noutras cidades, os delinquentes não violentos podem pagar por melhores instalações: uma cela limpa e sossegada, afastada das ocupadas pelos reclusos não pagantes. Se és aluno do segundo ano de escolaridade numa escola de Dallas com uma taxa de sucesso reduzida, lê um livro: dois dólares.  Por forma a incentivar o hábito de leitura, as escolas pagam aos miúdos por cada livro que lêem. Michael Sandel ,  O que o dinheiro não pode comprar. Os limites morais dos mercados , Presença, Lisboa, 2015, p.13. Porque é errado que (quase) tudo possa ser vendido e comprado? Michael Sandel encontra, sobretudo, duas razões para considerar aquela realidade como nefasta: desigualdade e corrupção. Se tudo estiver no âmbito de uma possível compra/venda, se tudo for  mercantilizável , então a importância da riqueza passa a ser ainda maior (e quem tem menos ...

GESTAÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO

  Barrigas de aluguer Na semana em que o Presidente da República vetou, e bem, o diploma que regulamenta as chamadas barrigas de aluguer , recordo a história do casal Stern e da gestante de substituição Mary Whitehead que, no estado de Nova Jérsia, nos EUA, celebraram, em 1985, um contrato, com vista a esta última ter a criança pretendida pelo casal (de elevadas habilitações profissionais – um bioquímico e uma pediatra) . Quando, em Março de 1986, Mary Whitehead, uma rapariga de 29 anos, já com dois filhos (cujo marido era trabalhador nos serviços de saneamento) deu á luz uma menina, não conseguiu separar-se do bebé. Encurralada pela contradição entre o seu apego à criança e um contrato para cumprir (pelo qual recebera 10 mil dólares), fugiu para a Florida . A polícia, com um mandato do tribunal, a pedido dos Stern, deteve-a neste estado e o Tribunal de primeira instância, arguindo a santidade dos contratos, considerando que estávamos perante adultos que sabiam o que estavam a fa...

SOBRE "O DESCONTENTAMENTO DA DEMOCRACIA", DE MICHAEL SANDEL

  O descontentamento da democracia , de Michael Sandel A erosão da comunidade e da democracia são, desde os anos 60, as grandes ansiedades do nosso tempo (político). O ideal republicano , cívico , de empenho na cidadania regrediu, claramente, de então para cá e relativamente ao que sucedera até aquela época (nomeadamente, nos EUA), na argumentação, na retórica, na justificação e práticas políticas e pessoais. Não tendo desaparecido por completo do espectro da polis , desvaneceu-se numa república procedimental , que abdicou do projecto formativo que implicava o forjar de virtudes ( independência , ponderação , interesse público , iniciativa , responsabilidade …), nos cidadãos, em especial através de instituições intermédias ( municípios , escolas , religiões …), que promoviam o auto-governo . Ser patriota tornou-se uma escolha (entre outras). É necessário, face a este panorama, que as motivações mais fundas dos cidadãos, com exigência de obrigações mútuas entre todos (não ap...