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DESDE LA TORRE

  DESDE LA TORRE Retirado en la paz de estos desiertos con pocos pero doctos libros juntos, vivo en conversación con los difuntos y escucho con mis ojos a los muertos. Si no siempre entendidos, siempre abiertos, o enmiendan o fecundan mis assuntos; y en músicos callados contrapuntos al sueño de la vida hablan despiertos. Las grandes almas que la muerte ausenta, de injurias de los años vengadora, libra, oh gran don Joseph, docta la emprenta. En fuga irrevocable huye la hora, pero aquella el mejor cálculo cuenta que en la lección y estudios nos mejora. Francisco de Quevedo (Parnaso Español, 1648, num.115). Poesía original completa. Edición de José Manuel Blecua. Planeta, Barcelona, 1981. Referência a Joseph, seu editor.

LUME

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  Tentado a escolher o surpreendente e imaginativo “ dente que se perdeu ” por detrás – ou melhor, por dentro – d’ O Anti-sorriso de Gioconda ”, a deliciosa malandrice de “ Vaqueiro ”, a capacidade de dizer da impenetrabilidade de Deus em “ Tétano ”, a inquietante indagação sobre se a “ angústia ” da Mãe, em “ Vigília lacrimosa ” pelo Filho, gravada em pedra (“ A pietà de Mogadouro ”), resistirá “ ao assédio do ácido dos séculos ” (os tempos erodirão a pedra, ela mesma, e, em particular, até, aquela talhada no horizonte espacial de onde se mira, Mogadouro?, rasurarão, aqueles, a história que nela, na pedra, se narra?, mais ainda, o “ácido” que os permeie roubará, de tal modo, a humanidade da humanidade que a(s) mãe(s) deixará (deixarão) de chorar o(s) filho(s)?), a força tremenda, a exatidão, a dor, o eco (homenagem) devolvido a Garcia Lorca em “ In Memoriam II. A Federico Garcia Lorca” (“ Ouviu-se primeiro um tiro/e em seguida nenhum ai/Mas o ai que não se ouviu/teve mais eco e ...

PRIMO LEVI

  “O SOBREVIVENTE                                  a    B.V.   Since then, at an uncertain hour Desde então, a uma hora incerta, Aquela aflição regressa, E se não encontra quem o oiça Queima-lhe no peito o coração. Revê os rostos dos seus companheiros Lívidos no primeiro raiar, Cinzentos de pó de cimento, Indistintos pelo nevoeiro. Tingidos de morte nos seus sonos inquietos: À noite remexem as mandíbulas Sob o amontoado pesado de sonhos, Mastigando um nabo que não existe. «Para trás, fora daqui, gente soçobrada, Ide. Eu não suplantei ninguém, Não usurpei o pão de ninguém, Ninguém foi morto em meu lugar. Ninguém. Regressai ao vosso nevoeiro. Não é culpa minha se vivo e respiro E como e bebo e durmo e visto roupas».          ...

A TURMA DE STEFAN ZWEIG

  A turma de Stefan Zweig Pode até ser uma turma a iluminar não apenas o liceu, como uma inteira cidade. Quando nos questionamos sobre o desaparecimento de grandes mestres do pensamento e o que fica depois deles, em nossa época, manter viva a memória do melhor a que o espírito humano, desde bem cedo, pode aspirar é um módico de resistência. Não estamos condenados à apatia e à mediocridade, a esquecer a anima , a perder o ânimo. Stefan Zweig, para os planos de desconfinamento e de resiliência.   De entre as várias publicações que, em anos recentes, a propósito do centenário da I Guerra Mundial foram para as livrarias portuguesas, O mundo de ontem , de Stefan Zweig, não pôde deixar de provocar um vivo e impressivo impacto em quem procura pensar a cidade e a sua ecologia, as ideias e ideais de vida, as crenças e os sentimentos, as convicções que nela imperam. Sempre de modo analógico, claro, com as devidas distâncias de escala e tempo, importa revisitar um mundo que ficou p...

SIMPLICIDADE, ELEGÂNCIA

  Dichoso el que un buen día sale humilde/y se va por la calle, como tantos/ dias más de su vida, y no lo espera/ y, de pronto, qué es esto?, mira a lo alto/ y ve, pone el oído al mundo y oye,/ ainda, y siente subirle entre los pasos/el amor de la tierra, y sigue, y abre su taller verdadero, y en sus manos/brilla limpio su oficio, y nos lo entrega/de corazón porque ama, y va al trabajo/temblando como um niño que comulga/mas sin caber en el pellejo, y cuando/ se ha dado cuenta al fin de lo sencillo/que ha sido todo, ya el jornal ganado,/vuelve a su casa alegre y siente que alguien/ empuña su aldabón, y no es en vano.  Claudio Rodríguez (poeta espanhol, 1931-2009)

A PRIMEIRA MISÉRIA

  Sim, foi essa A primeira miséria, a deserção Dos deuses. A segunda, a sua morte, Já na morte de Pã anunciada Pelo lamento dos bosques, o clamor Lutuoso das ilhas do Egeu. Esse grito o escutou o outro Friedrich, Dionysos de seu nome, o europeu, O anunciador, o que caminha Sobre águas estagnadas e parece, Ao afundar-se, desenhar no lodo Um mapa para o qual não há leitura.   Hélia Correia ,  A Terceira Miséria , p.24.