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A mostrar mensagens de dezembro, 2025

MUNDO: ESTADO DA ARTE

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  1. Em “O fim da paz perpétua” ( Zigurate , 2024), o Professor José Pedro Teixeira Fernandes faz notar a ironia resultante do facto de Immanuel Kant ter nascido em Konigsberg, haver influenciado, decisivamente, a construção da democracia liberal , da Sociedade das Nações , da Organização das Nações Unidas , da União Europeia , ou do Direito Humanitário e, essa localidade, antiga capital da Prússia (praticamente destruída com os bombardeamentos dos Aliados durante a II Guerra Mundial), hoje Kaliningrado, quinze mil quilómetros quadrados, um milhão de habitantes, a meio caminho entre a Polónia e a Lituânia, ter sido absorvida pela Rússia, mas não assim os ideais Kantianos – entre os quais, os de paz perpétua -, trocando, aliás, os russos, aqueles princípios por uma abordagem clausewitziana (que muitos acreditavam já não aplicável à interpretação das hodiernas relações entre Estados), a qual significará entender, sem quaisquer estados de alma ou considerandos de natureza éti...

FELIZ NATAL

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  1.Daniel Marguerat , um prestigiado exegeta e especialista nas origens do cristianismo, académico protestante francês, na mais recente biografia, em chave histórico-crítica , de Jesus que me dei conta que tenha sido publicada em Portugal (“ Vida e destino de Jesus de Nazaré ”, Guerra e Paz , 2025; no original francês, em 2019), coloca a questão dos atritos familiares de Jesus como uma opção teológica de Cristo seguir a Palavra, sim, mas diz também que face ao seu nascimento "irregular" (face ao direito vigente à época em que viveu, que colocava o "bastardo", o " mamzer " numa posição de grandes limitações ao nível de direitos como herança ou as limitações com quem se podia casar), e independentemente da forma que essa "irregularidade" tenha assumido (com o falatório inevitável, por assim ter sido, no seu entorno), a questão acerca do modo como se entendia a si mesmo, e como olhava para a família, pode aqui ganhar uma nova luz: " as tens...

LENDO AS DUAS MAIS RECENTES BIOGRAFIAS DE CAMÕES - E REGISTANDO AS LIÇÕES DE FREDERICO LOURENÇO SOBRE O TEMA

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    1 .Se Bill Bryson surpreendeu tudo e todos quando, depois de deixar sucessivas obras extremamente volumosas, na biografia que elaborou de William Shakespeare se ficou pelas 180 páginas – “é que só tenho três documentos acerca dele…” [1] -, sobre a vida de Luís Vaz de Camões prosseguem extensas peregrinações declinadas em livros de monta. E, no entanto, o que sabemos, com segurança , da vida de Camões, no registo de Frederico Lourenço , é que i) foi preso em 1552; ii) partiu/embarcou para a Índia em 1553 (documento, uma carta régia de perdão a Camões - por uma briga, perto do Rossio, na qual feriu um empregado do rei -, na Torre do Tombo , atesta-o); iii) voltou do Oriente em 1569 (data referida pelos dois primeiros biógrafos de Camões e “relativamente segura”); iv) a obra-prima “Os Lusíadas” foi publicada em 1572; v) morreu a 10 de Junho de 1580 (temos nota, de 1582 e redescoberto no século XIX, na Torre do Tombo que prova que Camões morreu nesta data, com renov...