OBSESSÕES E OUTROS ERROS
1. Aponta-se, comummente, o facto de “ Os Lusíadas ”, de Luís Vaz de Camões , encerrarem com a palavra “ inveja ”, e visto o poema ter “a reputação de ser sobre Portugal”, para se deduzir aquela como a “ característica mais portuguesa do país ”. Essa observação, porém, como nota Miguel Tamen (“Erro Extremo – III”, Tinta da China , 2025), não pode deixar de confrontar-se com o facto de “ Os Maias ”, de Eça de Queiroz , acabar com “ subia ”, “Menina e Moça”, de Bernardim Ribeiro , terminar com “ LAUS DEO ”, ou “A Morgadinha dos Canaviais”, de Júlio Dinis , finar com “ A Morgadinha dos Canaviais ”. Isto significa que para a inferência assinalada poder proceder ter, desde logo, que i) se conferir “ um valor descritivo menor ” às obras vindas de mencionar face a “Os Lusíadas”, ii) em qualquer dos casos, contudo, medida a “fiabilidade” da aferição do “carácter nacional” pelo derradeiro dos vocábulos apostos neste(s) escrito(s). E esse é, efectivamente, um problema dificilmente superável...