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A mostrar mensagens de janeiro, 2026

OBSESSÕES E OUTROS ERROS

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1. Aponta-se, comummente, o facto de “ Os Lusíadas ”, de Luís Vaz de Camões , encerrarem com a palavra “ inveja ”, e visto o poema ter “a reputação de ser sobre Portugal”, para se deduzir aquela como a “ característica mais portuguesa do país ”. Essa observação, porém, como nota Miguel Tamen (“Erro Extremo – III”, Tinta da China , 2025), não pode deixar de confrontar-se com o facto de “ Os Maias ”, de Eça de Queiroz , acabar com “ subia ”, “Menina e Moça”, de Bernardim Ribeiro , terminar com “ LAUS DEO ”, ou “A Morgadinha dos Canaviais”, de Júlio Dinis , finar com “ A Morgadinha dos Canaviais ”. Isto significa que para a inferência assinalada poder proceder ter, desde logo, que i) se conferir “ um valor descritivo menor ” às obras vindas de mencionar face a “Os Lusíadas”, ii) em qualquer dos casos, contudo, medida a “fiabilidade” da aferição do “carácter nacional” pelo derradeiro dos vocábulos apostos neste(s) escrito(s). E esse é, efectivamente, um problema dificilmente superável...

O CONSENSO PÓS-NEOLIBERAL

  O NOVO CONSENSO “O consenso pós-neoliberal está aqui, mas não o procure nas políticas económicas do presidente dos EUA, Donald Trump. Após uma década de reacções adversas é hora de aceitar que o neoliberalismo está morto, mas também que um novo consenso está a tomar o seu lugar. Importa sublinhar que segmentos significativos da esquerda e da direita nos EUA estão de acordo no que diz respeito às linhas gerais de política económica. As discussões nas universidades e think tanks são hoje estimuladas por um consenso que se afasta de modo substancial da ortodoxia neoliberal dos últimos 50 anos. O primeiro elemento do novo consenso é o reconhecimento de que a concentração do poder económico se tornou excessiva. (…). Alguns reclamam diretamente da desigualdade de rendimentos e de riqueza e dos seus efeitos corrosivos na política. Outros, preocupam-se com o poder de mercado e as implicações adversas para a concorrência. Para outros ainda, o problema principal é a financeirização e a dis...

FILMAÇO - "FOI SÓ UM ACIDENTE"

  Da capacidade do particular se fazer universal: o que fazemos com quem nos fez profundamente mal? Como convivemos com o passado intensamente ferido? Em quem nos podemos transformar se formos, agora, o verdugo (“ a premissa - homens e mulheres vitimados invertem os papéis com os seus algozes – é a essência do direito e da cultura ”, Manohla Dargis )? De que modo o mal (e o desejo de vingança) nos pode capturar e colonizar? (“ podemos ser livres sem compaixão ?”, Elsa Fernández ). Enquanto dão voltas e voltas (absurdo) à cidade, à espera que Godot decida a justa reacção a Eghbal , torcionário do regime (responsabilidade individual e colectiva unidas, ainda que Panahi aponte, sobretudo, ao sistema: numa outra estrutura, este homem seria diferente, agiria de outra maneira), a vontade de o comer vivo, a consciência culpada de o fazer (perda da alma, mas possibilidade real de no futuro o próprio sistema os devorar pela réplica dos crimes por si perpetrados), o dilema do perdão (nunca...

EMBRIAGUEZ DE PODER DE TRUMP

  “Borracheira de poder de Trump O resultado da Operação Resolução Absoluta parece ter subido à cabeça de Donald Trump . A ação militar envolveu um ataque aéreo e terrestre à capital venezuelana e o sequestro de seu chefe de Estado. Ela não possuía a autorização constitucionalmente exigida pelo Congresso para ações militares contra um país estrangeiro e violou a Carta da ONU e a imunidade soberana concedida aos chefes de Estado dos países membros da organização internacional; mesmo assim, a Casa Branca prosseguiu com a ação baseando-se unicamente em um mandado de prisão emitido por Nova York. Assim, o resultado da operação militar tornou-se uma ameaça universal do uso da força bruta sem quaisquer princípios democráticos em suas ações: na Venezuela, onde busca controlar o país de mãos dadas com o próprio chavismo que denegriu, a Casa Branca descartou ignominiosamente a oposição democrática, não exigiu a libertação de presos políticos, o retorno de exilados ou a abertura de um pr...