EM DIA DE NOBEL DA LITERATURA...
“Para mim, a arte é basicamente paradoxal. É forma e conteúdo. Todas as demais contradições que se encontram na arte aparecem no cristianismo. Se crês na lógica científica, não podes ter duas verdades ao mesmo tempo. Mas na arte a verdade reside na contradição, como na mística, onde os opostos se encontram. É como a Santíssima Trindade. Três em um? Isso rompe com a lógica científica, [mas] não com a poética.
Vejo sentido em que a Igreja critique a promiscuidade, porque defende um vínculo amoroso profundo e duradouro. Mas a homossexualidade? Isso é algo muito diferente.
Nunca me senti outra coisa que não um estranho, um marginado, fora da comunidade. Não encaixava. Também há escritores inteligentes e integrados, mas não me interessam, como Umberto Eco. Agradam-me, por exemplo, Thomas Bernhard e Peter Handke.”
Jon Fosse, Nobel da Literatura (em 2023), católico praticante, com seis filhos, entrevistado por Xavi Ayén, para o “La Vanguardia”, 09-10-2025, pp.41-42. Duas experiências marcaram, de modo mais significativo, um percurso que redundou na conversão ao catolicismo: em criança, quando um corte acidental em uma artéria quase lhe tirou a vida e aos 30 anos quando, nas suas palavras, teve “uma visão e a sensação de que podia ver através de tudo e que entendia tudo. Foi um momento cativador, mas breve. Nunca antes, nem depois me senti assim. Mas, nesse momento, pensei que podia sentir tudo. Incrível”. Na entrevista que esta manhã foi para as bancas, curiosamente, quando interrogado sobre quem gostaria que vencesse o Nobel da Literatura – que horas depois viria a ser conhecido -, Jon Fosse responderia, precisamente, Laszlo Krasznahorkai [“gosto muito”], tal como o australiano Gerald Murnane ou o norte-americano Thomas Pynchon. Fascina-o Marilynne Robinson
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