1.Seja
pelo natural cepticismo que reiteradas afirmações do absoluto ineditismo e do
extraordinário que, alegadamente, recobririam cada momento de nossa época (o
“nunca visto”, o “maior de sempre”, o “inultrapassável” tomados, não raro,
enquanto manifestações de um trivial propagandear, ou de um narcisismo larvar),
seja porque, incrustados, naturalmente, no preenchido e acelerado quotidiano da
terceira década do século XXI possa ser difícil, senão impossível, ganhar
distanciamento bastante face à mesma para poder apreendê-la na sua globalidade,
talvez não nos tenhamos dado exatamente na conta de que vivemos em uma época
«revolucionária», inclusive “uma das
épocas mais revolucionárias” de que temos notícia (normalmente, só mais
tarde assim consciencializada/enquadrada e vertida nos manuais de História, e
não imediatamente notada, e anotada, enquanto tal. Uma dessas épocas que
evocamos quando falamos em “Revolução Industrial”, ou “Revolução Francesa”, por
exemplo). Em realidade, estaremos, hoje por hoje, face a uma «mudança súbita, radical ou completa»,
uma «mudança fundamental» que vai
decorrendo nos mais variados âmbitos: “para onde quer que olhemos, vemos
mudanças dramáticas e radicais” e isso tanto se manifesta no “sistema internacional”, quanto no domínio da “transformação digital”, na reformulação do “comércio livre”, na emergência de novos movimentos extremistas e
divisões não clássicas na “ordem interna”, na reapreciação do papel dos
“mercados”, na emergência da “Inteligência Artificial” (Fareed Zakaria,
“Era de Revoluções”, Gradiva, 2024).
Ora,
se contempladas as coisas sob este prisma – aquele que integra o caótico, o volátil, o febril, o incerto como dimensões especialmente
relevantes e intensas em nossos dias – porventura possamos abeirar-nos de uma
compreensão outra, que nunca uma justificação (porque nem a angústia de uma
incerteza possivelmente maior do que em outros tempos justificará, alguma vez,
o ataque, permanente, a modos civilizados de vida em comunidade e uma
selvajaria, incessante, através de palavras e atos que, para dizer o mínimo,
causam vergonha alheia), dessa tentação que consiste num “desejo nostálgico de regressarmos ao local de
origem. Os progressos radicais são
normalmente seguidos de retrocessos, e do desejo de regressar a uma idade
de ouro passada, idealizada como sendo
simples, ordeira e pura. Este é um padrão que vemos ao longo da história:
quando já tínhamos entrado no tempo da pólvora, ainda os aristocratas
suspiravam pelo código de cavalaria; os luditas destruíam máquinas para tentar
travar o futuro industrializado; e agora há políticos (…) prometendo fazer o
tempo voltar para trás e tornar os seus países grandes de novo”.
Todavia,
reconheça-se, o espaço público não é perpassado, exclusivamente, por retrotopias
– mesmo quando, possivelmente, aquelas se estejam a revelar hegemónicas -,
antes, estas, se enfrentarão, mesmo que se considere não com a mesma força, ou
global influência ou idêntica perigosidade, a um quadro no qual certas “concepções radicais e abstractas de
progresso” são tentações a que alguns actores públicos podem, igualmente,
não se furtar, sendo que, neste contexto, sensato parece ser o entendimento de
que “é importante ter em conta o
carácter orgânico da sociedade, que não consegue absorver demasiadas rupturas
sem correr o risco de se desintegrar” e, nessa medida, “por vezes, é
necessário abrandar o ritmo da mudança”, preservar
certos elementos-chave que compõem a comunidade e, não menos fundamental, entender que
“os que estão a ficar para trás [pelas mudanças
tecnológicas, pelas qualificações,
globalização e, com ela, mudança de
fábricas para países diversos daqueles onde haviam nascido ou estado inseridas,
etc.] merecem mais ajuda do que aquela que estão a receber”.
Com
efeito, um tsunami de mudanças
estruturais - com alterações profundas na tecnologia [sendo que a
tecnologia não só muda a realidade, como a percepção da realidade, ecologia na
qual nos movemos; e é, aliás, com particular argúcia e perspicácia que o
escritor Rodrigo Nunes, quanto a
declinações políticas daquele ambiente, escreve: “Mas foi a alt-right que
entendeu primeiro, e melhor do que a maioria, as vantagens de tomar a posição
de uma das figuras centrais da cultura contemporânea: o troll. O troll procura
provocar reacções fortes e parece alimentar-se da sua própria capacidade de
provocar o confronto e expor os demais ao escárnio (…). A dupla comunicação, e o facto de ser o troll
quem decide quando brinca e quando fala a sério, é a base da sua técnica para
introduzir ideias «polémicas» e «controvertidas» no debate público de forma
irónica, humorística o com certa distância crítica, mantendo sempre a dúvida
sobre quanto há de brincadeira e quanto de verdade (…) Se em algum momento sente que passou a linha, sempre pode dar um passo
atrás e dizer que foi uma brincadeira, convertendo o episódio num caso de
perseguição” (apud. Antonella Marty, “La nueva derecha”,
Deusto, 2025, p.46); com a questão tecnológica fala-se, ainda, na quarta revolução industrial, revolução a
qual, nos seus primeiros estágios, há 300 anos, permitiu uma mobilidade, até
então interdita a uma imensa maioria: a ideia de viagens apenas por prazer
seria, há pouco mais de 200 anos, considerada risível; a revolução industrial
vem alterar a condição humana, a sua relação com o tempo e o espaço; só em
1880, weekend passa a ser um termo
corrente na Grã-Bretanha, lá onde o espaço de lazer, mesmo ao fim de semana,
estava confinado às cercanias de casa] intensa globalização e densa atividade
económica – promove outras “mudanças significativas – [nomeadamente] nas
identidades”: “à medida que as pessoas começam a deparar-se com novas
oportunidades e desafios começam a definir-se de forma diferente”. Tecnologia,
economia e identidade “geraram quase
sempre reacções adversas, que resultam numa nova política. Os seres humanos têm
uma capacidade limitada de absorção de mudanças rápidas. E a velha política,
por definição ligada a uma era anterior, normalmente não consegue acompanhar
essas mudanças. Os políticos esforçam-se por se adaptar, mudando os seus pontos
de vista e formando novas coligações. O resultado disto pode ser modernização e
reforma, ou repressão e revolta, e é, frequentemente, uma combinação explosiva
de ambas”.
2. Em
um tempo, pois, em que todas as comportas e diques foram rebentados (o
varrimento do superego, o desatender
da “consciência”), o poder insurgente afirma-se como mainstream; não basta reformar, a afirmação e manutenção do poder
resultam da imposição do arbitrário, da decisão irrefletida, causa e
consequência da depredação (sempre em movimento, caos como forma de acção,
método): “O que mudou desde há oito
anos, é que a base sobre a qual se apoiava a velha ordem ruiu. Se, em meados da
década de 2010, os Brexiters, Trump e
Bolsonaro podiam aparecer como um grupo de outsiders,
desafiando a ordem estabelecida e adoptando uma estratégia de caos, como fazem
os insurgentes em guerra contra uma potência superior, hoje a situação
inverteu-se: o caos já não é a arma dos rebeldes, mas a chancela dos
dominantes. Se, no Ocidente, a primeira metade do século XX havia ensinado aos
políticos as virtudes da contenção, o desaparecimento da última geração saída
da guerra permitiu o regresso dos demiurgos que reinventam a realidade e
pretendem moldá-la de acordo com os seus desejos. Se o antigo mundo assumia
barreiras de protecção – o respeito pela independência de certas instituições,
os direitos humanos e das minorias, a atenção dedicada às repercussões
internacionais -, tudo isso já não tem o menor valor na hora dos predadores.
Neste novo mundo, todos os processos em curso serão levados às suas
consequências extremas, nenhum deles será contido ou governado de forma alguma. Pedal to the metal, o pisar a fundo
dos aceleracionistas, torna-se a única opção” (Giuliano da Empoli, A hora
dos predadores, Gradiva, 2025).
O
livro de Da Empoli não é apenas uma reportagem que bebe do fino, um thriller político
vertiginoso, mas mescla essas características com uma erudição de cariz
florentino (reflexão sobre a conquista e manutenção do poder nas condições da
terceira década do século XXI). O rei Salman
convoca todos os ministros, simultaneamente multimilionários e que controlam
amplos sectores do Estado saudita, para uma reunião no Palácio real, em alguns
casos com bilhetes pormenorizados acerca dos assuntos (alegadamente) a tratar.
Em chegados ao Palácio, são aqueles, afinal, reencaminhados para um hotel onde
são convidados a vestir um conjunto
de peças de roupa brancas, sem (aparente) lógica ou sentido. Nos dias
seguintes, grande parte da nomenclatura saudita é torturada, com os préstimos
dos mercenários da Blackwater que no
Iraque, na primeira década deste século, haviam experimentado o waterboarding. Devolvem, ao todo, ao
estado saudita, os desapossados, cerca de 100 mil milhões de euros que,
supostamente, haviam desviado e, fundamentalmente, desaparecem, aqueles
homens/actores políticos, enquanto potenciais rivais do Príncipe Bin Salman.
Os
requintes de perversidade dos “homens fortes” –
para cuja descrição de uma era este livro concorre também com novos
elementos; e “ninguém pode duvidar de
que o mais difícil ainda está para vir. O novo presidente americano passou a
encabeçar um cortejo variegado de autocratas descomplexados, de conquistadores
da tecnologia, de reaccionários e teóricos da conspiração impacientes por
chegarem a vias de facto. Abre-se diante de nós uma era de violência sem
limites e, tal como no tempo de Leonardo, os defensores da liberdade parecem
especialmente mal preparados para a tarefa que os espera” – enxertam-se
numa tradição da qual participa um velho duque da Saxónia cujo gesto inicial –
“Goethe conta a história daquele velho duque da Saxónia, original e obstinado,
que era instado a reflectir, a ponderar,
antes de tomar uma decisão importante. «Eu não quero reflectir nem ponderar»,
teria ele respondido, «senão porque seria eu duque da Saxónia»? – parece
inspirar diretamente Donald Trump: “um dos seus traços, do qual os conselheiros
dele, em homenagem a uma época agora volvida, se queixam em voz baixa, quando
deveriam gargarejá-lo alto e bom som, é que ele nunca lê. Nem livros,
que são bons para os museus, nem jornais, que estão a ir pelo mesmo caminho;
o internauta mais ingénuo não hesitaria em classificar a imagem de um Trump
instalado num assento do seu jacto ou numa poltrona em Mar-a-Lago com um livro
na mão, e não com um ecrã ou um hambúrguer, entre as deep fakes mais extravagantes que se possam conceber. A questão que
incomoda os conselheiros dele, quando os devia encantar, é que Trump nem sequer lê as notas de uma página,
ou mesmo de meia página, que eles lhe remetem para o preparar para uma
entrevista, resumindo os elementos essenciais da questão a tratar. A essas
notas, Trump não dá uma única olhadela. Nem
uma página, nem uma meia página, nem uma única linha. Ele só funciona por
via oral. O que representa um desafio considerável para quem quiser
transmitir-lhe o mínimo conhecimento estruturado”. Aqui, com graus e
intensidades diversos, responsabilidades diferentes, dir-se-ia que, como que em
osmose, muitos dos apoiantes destes movimentos dispensam, com a mesma
ferocidade, qualquer suporte, fundamento, documento, leituras para qualquer
posição que entendem vociferar, epistemologia
para que te quero?, para não dizer que rejeitam,
liminarmente, aqueles que o procuram fazer (o demagógico anti-intelectualismo
com a confortável arrogância de ser muito acompanhado nesta hora). Há,
porém, um ponto em que daqui resulta uma esperteza nos Trump’s desta vida
- um sobreadaptado
ao regime cultural vigente,
chamemos-lhe assim - que os devotados ao conhecimento, efetivamente, não
alcançam: é que o conhecimento leva, não
raro, a dúvidas, hesitações, ponderações que podem prolongar-se, um tactear da
complexidade do humano e do mundo; em tempo de volatilidade máxima, manter o
poder, no dizer de Da Empoli, não consente o contemplativo: “numa situação de
incerteza, quando a legitimidade do poder é precária e pode voltar a ser posta
em causa a qualquer momento, quem não age pode ter a certeza de que as mudanças
a ocorrer o deixarão em desvantagem (…) É o que os frequentadores do Kremlin chamam hoje o «controlo manual».
Quando o sistema, com os seus procedimentos e hierarquias, não produz o
resultado desejado, resta a possibilidade de se intervir diretamente,
transgredindo as regras formais, para restabelecer a justiça substancial (…).
Também é preciso que se trate de um acto
irrefletido, pois qual seria o valor de uma acção que respondesse simplesmente
à necessidade? Seria pouco mais que o acto de um tecnocrata, de um desses
funcionários tristonhos (…) A
essência do poder reside justamente no contrário”.
Este
é o momentum, vivemos um “tempo
maquiavélico”; em realidade, de acordo com o italo-suíço, jurista por La Sapienza e Mestre em Ciência Política
pelo Instituto de Estudos Políticos de
Paris, antigo conselheiro do ex-PM italiano Matteo Renzi, não é, em rigor, de momentum que se trata, mas do descongelamento, do “fim de férias”
da História: o regresso à força bruta, a ausência de lei, à guerra de todos contra todos, em que
reinam os Bórgia (os Trump, Putin, Bolsonaro, Duterte, Bukele, Erdogan, Órban,
Salvini, Kackzinsky, Bin Salman, Abiy Ahmed, Modi, Xi Jinping, Chavez, Lopez
Obrador…isto, regressando à enumeração de Gideon
Rachman em A era do homem-forte [Vogais, 2022], alguns dos quais
[Duterte, Obrador, Kackzinsky], entretanto, afastados do poder, e outros, como
Bukele, nele a adquirirem uma proeminência autocrática de registo) e a
democracia se esvai (nunca tivemos tantas autocracias como hoje, nos últimos 30
anos). E “neste novo mundo, os borgianos
têm uma vantagem decisiva, porque estão habituados a evoluir num mundo sem
limites. Não se contentam com resistir à adversidade, tiram a sua força do
inesperado, do instável e do belicoso”. Não
sendo muitos destes (homens) políticos lidos, apuram, porém, o faro para os
que, com(o) eles, partilham a característica de predador, Trump elogia Xi
ou Putin que, por sua vez, devolve a gentileza, sendo que o presidente
norte-americano copia uma intervenção de Bukele que vê no presidente
norte-americano nada menos do que uma nova espécie civilizacional (superior), a merecer toda a bajulação de
um Bolsonaro…em alguns casos, geram-se alianças que nem a ideologia são
movidas, antes se ancorando em redes de
tipo mafioso, protegendo-se os actuais Bórgia mutuamente, como defende Anne Applebaum, em “Autocracias, Inc.”
(Bertrand, 2024). Em um mundo
político-comunicacional muito centrado no digital, sublinhe-se como a novidade
é, mesmo, o facto de a comunicação não
fluir, agora, necessariamente, do centro para a periferia (o modo de
comunicar de Bukele adoptado por Trump, a motosserra de Milei em que tantos, a
Ocidente, querem pegar, a Cambridge
Analytica que importou para a Europa e EUA as técnicas de guerra da
informação que havia desenvolvido para o exército e os serviços de informações
britânicos, no Paquistão e na Colômbia) e de muitos dos principais detentores de impérios tecnológicos, habituados,
também eles, à transgressão e ao ilimitado, cada vez mais parecerem tentados a
procurar livrar-se de políticos da antiga ordem e promover e juntar-se aos Borgianos
(a cuja linhagem, pois, pertencem).
Em
Atenas, como recorda Miguel Monjardino
(LER, nº174, Primavera 2025), em
célebre debate, Alcibíades
prevalece, sobretudo, com recurso a argumentos emocionais, enquanto Nícias fala de factos; “Alcibíades encarna e percebe bem a emoção
dominante na sociedade, e é por isso que prepondera”; ora, hoje, de novo,
atravessamos uma “idade da indignação”, na qual, “por vezes, a informação não
interessa”: “destacam-se timoneiros
mais emotivos e, portanto, logicamente, mais manipuladores”. Enquanto gerações anteriores foram produto
da cultura da palavra e do livro, actualmente, e igualmente sem inédito
histórico (culturas do passado
também comunicaram pela imagem e pela iconografia), “a comunicação faz-se de novo através da imagem, as pessoas leem muito
menos e há muito mais emoção”.
Quem
tiver, apesar de tudo, a esperança de que também o “tempo maquiavélico” não
seja definitivo, que a (tentativa de) manipulação dos tecnólogos não seja a
última palavra, lobrigará que não é a
imersão desbragada em movimentos que rasuram o âmbito da racionalidade (e mesmo para compreender os limites da
razão, importa utilizá-la; a identificação das causas que levam, agora, a
que o sentimento prevalecente não seja o de um grande optimismo, necessária,
bem como a procura de resolução, nunca simples e imediata, dos nossos bloqueios
e a humildade da sintonização/escuta da ansiedade da época, mas nunca para a
cavalgar/parasitar tornando o espaço público infrequentável: “no final dos anos 80, a geração jovem era
muito optimista, com esperança de mudança, pela integração na Europa, com
muitos empregos disponíveis. Hoje, ao conversar com os alunos, a emoção
dominante é a ansiedade. Isso tem consequências políticas. A maioria das
famílias aceita hoje que os seus filhos viverão provavelmente pior do que elas”
[ainda que, em termos quantitativos, exista uma oferta de emprego grande,
actualmente; mas, não assim, exatamente, a relação entre as qualificações e a
economia, o tipo, a qualidade dos empregos disponibilizados em função do
esforço académico realizado e, bem assim, a questão das remunerações, longe de
competirem com as principais economias europeias, o que no quadro da fronteiras
franqueadas no quadro europeu, leva muitos jovens qualificados academicamente
ao exterior]), que negligenciam uma atenção demorada nas coisas, que desprezam
a leitura e o conhecimento, que não ligam à presença, comunitária, no teatro,
que estão preocupadas, somente, com o número e uma popularidade fácil,
conjuntural, sem densidade nem grandeza – mesmo vendendo a alma ao diabo,
movimentos que, de Portugal aos EUA, mostram um obsceno obliterar pela
dignidade da pessoa e pelo código que lhe dá substrato (“a questão da idoneidade, da palavra dada, tudo isso desapareceu. A
própria ideia de honra ou vergonha que limitava muito o comportamento das
pessoas no jogo político desapareceu. Hoje em dia não parece haver a menor
noção ou preocupação com a ideia de honra pessoal (…) Hoje não parece haver
código algum de nada, e isto tem consequências políticas”, M. Monjardino) –
que edificará algo que valha a pena (note-se a náusea com que o antigo
comandante das Forças norte-americanas na Europa reagiu ao encontro de Trump
com Putin, com este e sua corte, incluindo um Lavrov com uma camisa que dizia URSS, impressionado com a total
ignorância da História, da Geografia, da Geopolítica que a Casa Branca
tinha demonstrado; no mesmo sentido, inúmeros especialistas de Política e Relações Internacionais
produziram observações como a que podemos ler em Lluís Bassets [ElPaís,
16-08-2025]: “[A reunião com Putin]
ficará registada nos anais como o naufrágio da diplomacia amateur que o
amiguismo corrupto de Trump instalou no Governo, depois de destroçar as
melhores instituições e os mais brilhantes profissionais com os quais um país
democrático pôde contar para gerir as suas relações internacionais”; em
assim sendo, por muito meritória e benevolente que seja a apreciação do
intelectual aos que recusam qualquer preparação e estudo como dominantes
precisamente por essa via, as limitações e limites de um poder assim escorado
também demasiado rapidamente vêm ao de cima e, se restar algo (institucional) e
algum justo, os reich de mil anos
demorarão um bocadinho menos do que isso); inversamente, “toda a meditação literária sobre o destino humano que os gregos e os
romanos fizeram – de uma forma um pouco diferente - é fundamental. A comunidade
política ia ao teatro e era no teatro que os grandes temas atenienses das
cidades-estados gregas eram discutidos, por exemplo. Nós perdemos muito isso,
deixámos de ter uma cultura literária e histórica sobre os limites da condição
humana”.
Pedro
Miranda
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