QUE MUNDO EM 2048?
QUE MUNDO EM 2048?
Da conferência de Alfons Cornella, hoje, ao início da noite, no Salão Nobre da Casa de Mateus, sobre o mundo, a emergir e a configurar, em 2048, quatro ou cinco notas de tendências que o especialista em Inovação, diretor do Institute of Next, sublinhou:
- Vem surgindo, já, e com relevância e peso económico na China, nomeadamente, uma “indústria de baixa altitude” – que tende para incrementar-se, largamente, nos próximos anos e décadas. Trata-se da economia gerada por aeronaves, drones, tripulados ou não, a uma altitude de 500 metros, sensivelmente (até 1000 metros), englobando um vasto conjunto de serviços em âmbitos como: logística e entregas (mercadorias entregues através de drones), transporte de pessoas, (com recurso possível a táxis aéreos); agricultura (aplicação de pesticidas, por exemplo, através de drones); vigilância e segurança; turismo (voos para desfrute da paisagem);
- “Ikoino Saron” – em virtude, muito em particular, dos efeitos das redes sociais aquilo que se dava por adquirido, a existência de relações sociais em malha densa, deixou de o ser. Assim, muitas autarquias, a nível internacional, em especial no Japão, principiam já a pensar e colocar em prática medidas para colocar as pessoas em relação e proximidade umas com as outras;
- Hoje, está estudado a nível global que os pais preferem, agora, ter como descendentes filhas (em vez filhos), numa alteração muito sensível de mentalidades que até aqui prevaleciam. Embora as razões/motivações para tal atitude seja algo “que ainda não está muito estudado”, uma das ideias explicativas para tal suceder, na perspectiva de Alfons Cornella, é a de que os homens terão/teriam uma vida mais difícil no mundo que advirá nos próximos decénios (tal qual este está/estará configurado);
- 43% dos médicos noruegueses não nasceram na Noruega, sendo 40% os clínicos irlandeses nas mesmas circunstâncias [isto é, não tendo estes nascido na Irlanda] (sucedendo algo muito próximo em vários países europeus). Além de muito outro pensamento simplista acerca da imigração, o enviar embora, se tal fosse admissível, dos países europeus, de hoje para amanhã, todos os estrangeiros presentes em diversos países europeus, levaria a que, também na Saúde, o cenário fosse o que se acaba de descrever. O mesmo quanto a múltiplas cidades, e suas economias, desertificadas, dado que muito dependentes de alunos estrangeiros (em especial, no ensino superior). Por outro lado, quando, hoje, o nome mais comum dado a rapazes no Reino Unido é Mohamed constata-se que tal realidade não é aceite sem atrito naquela sociedade;
- Com o aumento da esperança média de vida, com os avanços na ciência, na tecnologia, na medicina vamos ter, pela primeira vez, que aprender a viver com 5 ou, num limite mais optimista quanto à duração média de uma vida, 6 gerações diferentes. Desde há mais de uma década, as questões económicas interpuseram-se, em muitas ocasiões, na discussão pública, sobre políticas a adoptar gerando polarização intergeracional. Sabermos conviver com e entre mais gerações será um desafio relevante.;
- Muita investigação está a sair das universidades para as empresas, com muitas destas a fecharem, nomeadamente nos EUA, sendo necessário assegurar ao público a ciência (e resultados desta). A Índia, por seu turno, vem fazendo uma revolução na Educação, que importa estudar. Muitas cooperativas veem surgindo – compra de alimentos em função das necessidades comuns e atendendo ao preço cada vez mais elevado destes – e podem ser uma oportunidade no futuro, no qual os cidadãos se encontram mais activos nestas soluções (tal como autarquias locais) do que a espera pelo Estado (central). Em países como Paquistão ou Egipto, veículos eléctricos tendem a ganhar tracção e a IA poderá ajudar a que haja uma mobilidade de tal modo que em termos europeus pareçamos andar permanentemente numa espécie de “metros”. Os robots vão conseguir retirar peça a peça os materiais, nomeadamente electrónicos, que vão ficando muito obsoletos entre nós. De entre a bibliografia sugerida, "Not the end of the world", de Hannah Ritchie, na descrição do conferencista, por não ser nem negacionista das alterações climáticas, nem remeter-nos, necessariamente, ao apocalipse, antes evidenciando o que vamos e estamos a fazer na mitigação das mesmas enfatizada.




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