A 'RELIGIÃO HEAVY METAL', SEGUNDO HARMUT ROSA
Grande fã de heavy metal, Harmut Rosa escreve um livro que é uma autointerpretação a partir do ponto de vista e da experiência do aficionado (daquele género musical), sem nunca abandonar, também, o aparato sociológico que o conforma e com que interpreta a realidade: quem são – proveniência social, engajamento político, gerações predominantes, género mais presente, escolaridade, geografias em que se ancoram – aqueles que participam das peregrinações aos concertos, aos álbuns e a toda uma parafernália de signos concomitantes, onde ressoam o que musicólogos diriam ser “ruído primitivo”. Fá-lo, aliás, em diálogo com estes últimos, nomeadamente com o compositor clássico e teórico musical Martin Pfleiderer e com o também académico e músico Jorn Arnecke, a quem agradece os esclarecimentos, sugestões e debates acerca da estética musical, no ocaso do seu escrito (composto, este, como se fosse um álbum com diferentes temas - capítulos).
A tese fundamental de Cantam os anjos, rugem os monstros (Ned, Ulzama, 2025) é que a essência do heavy metal é dar a ouvir, com toda a clareza, o irreconciliável e contraditório do mundo: “É o simultâneo e incontrolável rugido dos monstros e o júbilo dos anjos o que define a essência do metal (…). Quando só rugem os monstros – e, em minha opinião, existem tais variedades no metal mais extremo -, o género torna-se aborrecido e, por vezes, repulsivo, pelos menos para mim; mas também o puro canto angelical parece inverosímil, artificial e sem graça. Mascara as fracturas do mundo em lugar de as tornar audíveis (…) Nesta música, a irreconciliabilidade do mundo, as suas contradições tornam-se audíveis com toda a clareza”.
Com uma educação ascética e puritana, de “orientação espiritual e esotérica”, Harmut Rosa, que lamenta que mais jovens (a Ocidente) não frequentem as Igrejas, acredita que há “presenças reais” no heavy metal e que este alcança aquilo que na modernidade tardia em outros âmbitos não se logra (nomeadamente, esferas existenciais que a sociedade não é capaz de tocar de forma teórica e cognitiva): “em que outro lugar da nossa cultura se continua a falar de uma forma parecida, do mais elevado e do mais profundo, ao mesmo tempo? (…) O metal é uma transgressão existencial, um rebaixamento dos limites quotidianos da realidade que vai para além do próprio, tanto para o mais alto como para baixo. Esta música esforça-se por abrir-se a uma experiência diferente da realidade, não a uma visão do mundo, nem uma explicação ou teoria”.
Sem pretender ser um livro científico, o ensaio do Professor da Universidade de Jena concatena um conjunto de estudos sobre os metaleiros, um dos quais aponta traços de personalidade (nomeadamente, a abertura criativa) simultâneos a estes e aos amantes de música clássica, sendo que aquilo que realmente os irmana – segundo A.C. North uma orientação espiritual básica: “cremos que a resposta é que ambos os estilos de música têm algo de espiritualidade neles. Ambos são muito dramáticos e [neles] acontecem muitas coisas na música” – é, no dizer de Rosa, a centralidade da música, ela mesma, para os que estão verdadeiramente à escuta (não como evasão, pretexto, divertimento, saciar de momentâneos estados de espírito, mas profunda imersão).
Embora a (atribuição da) patente da expressão “heavy metal” possa ser controvertida, nela certamente ressoam o troar das motos, bem como o martelar do aço das cidades industriais – não por acaso, Birmingham como um dos viveiros deste género musical, gerando Black Sabbath e Judas Priest –, um lugar onde é possível encontrar bandas como Deep Purple, Black Sabbath, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, AC/DC, Guns n’Roses, Dream Theater, Megadeth, Scorpions, Ramstein, Savatage, Solitude aeternus, Ghost, Hammerfall, Edguy, Sabaton…
Da vasta experiência, de décadas, a participar na cena metal, o autor não só tem como muito claro que a grande maioria dos fãs (daquela) provém do mundo rural (aldeias, vilas, pequenas/médias cidades), como considera que (tal circunstância) não é um acaso: em um tempo/existência em constante aceleração, em que as cidades/metrópoles intensificam, ainda, o ritmo desorbitado em que se vive, o heavy metal proporcionará uma espécie de segurança ontológica (a quem o habita ferverosamente). Quando o próprio desta estação será a constante mutação - de emprego, habitação, colegas de trabalho, amigos, parelhas – e na mesma linhagem de uma certa continuidade, e não permanente disrupção, passível de encontrar num certo entendimento do mundo rural (tranquilidade, uniformidade de hábitos) -, quando tudo parece precário (incluindo a água contaminada, os vírus que flutuam no ar, ou os duvidosos alimentos a que acedemos fora de época), o heavy metal fornecerá, aos seus fãs, um forte traço de permanência. Neste contexto, aliás, cada banda funcionará, para muitos dos seus adeptos, como uma autêntica testemunha/companheira de vida (que aqueles ligarão a diferentes momentos/etapas relevantes da sua existência). E não é que haja um fechamento em torno de meia dúzia de bandas enquanto (cega) obstinação do ouvinte – como, por analogia, alguns observariam em cultores de música clássica que escutariam, constantemente, Bach, Beethoven ou Mozart, recusando tudo o que lhes sucede (musicalmente). A questão é que a música daqueles compositores abriu o espaço de conexão com o “não idêntico” e o regresso a esta dá-se para uma renovada ligação densa que se pretende com aquele (os admiradores de metal, e sua relação com as bandas de eleição, participaria deste mesmo movimento e busca. Esse regresso, e a causa última do mesmo, explicarão porque um género dado como morto em meados dos anos 90, quando a indústria musical colocou um ponto final ao principal programa de divulgação do género na MTV, ou quando revistas como a Metal Hammer foram renomeadas, importantes festivais de metal encerrados, os fãs reagiram de forma determinada, criaram os seus próprios certames e mantiveram a chama viva do metal).
Se sem dúvida que as origens sociais de muitos dos membros que integram algumas das mais reputadas bandas de heavy metal os colocam entre os não privilegiados da sociedade, por outro lado a glorificação da violência e/ou da guerra presente em letras de algumas das mais conhecidas canções desta cena, o explícito e reivindicado carácter apolítico de outras tantas, a dimensão marcial espelhada em capas e posters poderão remeter a um universo regido por pautas ideológicas que a situariam à direita do espectro político ou, inclusive, filiadas em uma direita autoritária (entre quem frequenta tal género musical; cientistas sociais há que acreditam, inclusivamente, que existe uma subliminar dimensão protofascista no heavy metal); todavia, a interpretação de Harmut Rosa, um homem de esquerda, acerca da referenciação ideológica do heavy metal, caso fosse possível tomá-lo como um todo, é diversa: não só na cena metal as revistas da especialidade, importantes no meio e com compradores/leitores bastantes, várias e nas quais se discute, igualmente, as balizas ideológicas de bandas e seus membros, se posicionarão num espaço liberal-democrático (como, por exemplo, sucede com a emblemática Metal Hammer, cujo primeiro número aparece em Janeiro de 1984) e, até, progressista, na referenciação de vários dos músicos que integram este campo, em múltiplas entrevistas (incluindo, o vocalista dos Ramstein; mais suspeitos são, a Harmut Rosa, os Slayer e o seu “Angel of death”, acerca de Mengele, tema que, ao longo dos anos, gerou não pouca controvérsia e mau grado um destacado membro daquela banda ter assinalado como óbvio o desprezo pela figura histórica do médico nazi). Não faltarão, ademais, letras com crítica social e em defesa de grupos mais marginalizados socialmente, na música metal. Em suma, H. Rosa considera que há ambivalência suficiente para interpretar em que campo ideológico se situa a cena metal, mas, maioritariamente, compreende-a num campo de democracia liberal e, inclusive, progressista.
Se as mulheres surgem em menor percentagem no conjunto dos fãs de heavy metal (à primeira vista, a cena metal parece caracterizar-se como misógina e machista, atendendo, até, às letras de várias canções e à cenarização obtida por várias das suas bandas e concertos; “o heavy metal é predominantemente masculino, branco e rural”), cada vez mais bandas femininas vão emergindo e há várias mulheres em lugares de destaque nesta cena – “e inclusivamente o cabelo comprido como característica central de todos os ‘autênticos metaleiros’ tem uma conotação feminina na cultura patriarcal dominante, ainda que o cabelo comprido nos tempos do Antigo Testamento fosse um símbolo de força masculina (por exemplo, no caso de Sansão, no livro bíblico dos Juízes, que inspirou o nome da banda homónima da NWOBHM)”. Empiricamente, Rosa observa que o grupo etário que mais acorre aos concertos – com bilhetes cada vez mais caros, menos acessíveis a adolescentes – é o dos 40/50 anos, não se tratando o metal, de modo algum, de uma cultura juvenil. Só na Alemanha, existem 8 revistas dedicadas ao heavy metal, com significativas tiragens, o que dá nota de um público empenhado e alfabetizado, sendo que um estudo da Universidade de Warwick aludia a uma preferência por esta música (face a outros géneros musicais) entre alunos seus sobredotados (uma outra pesquisa, com 6 mil pessoas, orientada pelo psicólogo Nico Rose, evidenciaria que o nível de instrução dos amantes de heavy metal estaria acima da média da população alemã; este lado “culto deve ser tido em atenção se se quer perceber a importância que a música tem para os fãs”).
Harmut Rosa possui o espírito crítico necessário para compreender que o ruído tosco ou cru, os símbolos exagerados da morte, do inferno, do diabo, os monstros, os dragões e princesas, assim como os anelos românticos, capas insípidas ou patéticas, remetem o heavy metal, a muitos dos críticos contemporâneos, a um kitsch acentuado e, em referências aquele género musical como, por exemplo, sendo capaz de suscitar um “não obstante” no “caos”, algo, mesmo, de ridículo ou blasfemo (de um ponto de vista cristão, mais do que falar em secularização, devemos atentar, antes, na deslocação do sagrado para âmbitos até aqui considerados profanos. Da ciência às ideologias, passando pela economia, o partido, a nação, a natureza, as bandas de música ou os media, várias são as novas sedes sacralizadas. E, todavia, radicalmente, nenhuma delas, outrossim, alcança substituir o Deus da confiança, o “exterior fundamento do sujeito”; a modernidade, sempre à procura de um (novo) deus que substituísse Aquele, instituiu, então, novos horizontes de divindade. Em uma palavra, não se secularizou, afinal, a cultura. Será, porventura, aparentemente, de maneira paradoxal, a partir da tradição bíblica – para a qual/segundo a qual, só Deus é santo -, que a crítica a esta não secularização pode adquirir força substantiva e operar com pertinência).
Pode, condescende, o heavy metal não ser obra de arte, ou grande obra de arte, pobre relativamente à melodia, harmonia e ritmo. Porém, insiste o Catedrático de Sociologia, se há característica inerente ao metal é a “seriedade absoluta” e, aceite a disponibilidade e abertura para a ressonância (“a ressonância refere-se à experiência de que algo aí fora entra em contacto com o nosso interior, algo que nos toca e nos colhe, e ante o qual podemos reagir e responder, enquanto nos transformamos com ele”) a que abre passo (“a ressonância requere a disposição de aceitar o contacto ou o encontro não identificador; requere um coração que escuta”), notar-se-á no staccato na bateria e, muito especialmente, nos solos de guitarra “os pontos de irupção da transcendência” (“na música não sabemos com quem nos encontramos”; a experiência transcendental não é, aqui, proposicional, não se baseando, pois, em enunciados lógicos, nem numa narrativa, não podendo identificar-se/captar-se). Em um mundo que se tornou surdo (maxime, ao não-idêntico), a dissonância e a repulsa são ferramentas que procuram provocar uma reacção (dos indiferentes à razão profunda da existência), sendo que no grito, no grunhido “expressa-se o drama, a depravação da existência”. O metal coloca, por essa via, perguntas (derradeiras) quase de maneira irracional – nesta galáxia musical, muitas letras fazem pouco sentido e isso não tem lá grande importância (prima, neste contexto musical, o carácter arquetípico das histórias). Fadas, mitos são centrais no heavy metal, o qual participa da estética do feio e do grotesco cujas origens remontam ao Romantismo (e a autores como, por exemplo, Vítor Hugo). Na esteira dessa corrente, a ideia de as existências artísticas se oporem ao conformismo burguês e requererem uma especial inspiração para produzir arte verdadeira, bem como o ideal do artista virtuoso que, num estado de êxtase, franqueia a porta a uma realidade transcendental, bem como a preocupação de romper com a coisificação que absorveu a alma do sujeito moderno e o separa da “realidade última” está presente na cena metal (que procura recuperar essa ligação por via “mágica” e não “intelectual”). Do romantismo dever-se-á tomar, do mesmo modo, uma irónica distância face ao “monstruoso” ou “diabólico” assinalado em capas e letras que, apreciadas no seu conjunto, dizem o diferente do que, prima facie, parecem manifestar (não deve ser feita uma leitura literal, em muitas das canções).
Se em outros lugares da (nossa) cultura se procura ligar o mais elevado e o mais profundo, e o cinema pode disso ser bom exemplo, contemplando-o, pelo prisma dos filmes, encontramo-nos sentados – no metal a experiência sensorial será completa; é o corpo todo que se envolve na experiência (não se ouve o metal apenas com os ouvidos, mas com o corpo todo). Por outro lado, no entender de Harmut Rosa, desde logo, a certeza da salvação (que permitiria passar por cima, evitar, silenciar os buracos negros da humana condição, a morte, a miséria, a enfermidade, a decadência, o abismo, o frio, um mundo hostil; Lídia Jorge nota que muitas vezes nas igrejas se ignora o Sábado santo, aquele porventura codificado com força insuperável no quadro de Hans Holbein que fez tremer Dostoievsky, como no-lo indicou em O Idiota, como excruciante questão sobre o rasgão que ali haverá na História, passando-se de forma demasiado rápida ao Domingo de Ressurreição, cf. I Jornadas da Associação Bíblica Portuguesa, “Jesus, Filho de Deus. Verdade ou Blasfémia?”, 08-11-2025, disponível em linha), um excessivo lastro (centrado no) doutrinal e a existência de respostas prontas (com o risco de rigidificação e de abafar) a todas as indagações maiores do humano incita ao repensar, no (estritamente) religioso, das condições de “escuta existencial”: “o núcleo da religião consiste numa ‘escuta’ existencial, quer dizer, uma atitude na qual nos convertemos em ouvintes com tudo o que somos e temos e estamos dispostos a ser tocados por um Outro incontrolável” [Harmut Rosa identifica no heavy metal praticamente todos os elementos da experiência religiosa como concebida por Durkheim].
Para o académico de Jena, “do que a cultura moderna necessita com tanta urgência como de pão e de água para viver é de uma esfera cultural” que questione “o que há no fundo da minha existência, o que me une ao mundo no seu conjunto?”. Postos perante tal pergunta, observamos que “uma prática cultural como rezar é, em última instância, uma técnica que conecta o nosso ser mais íntimo (a nossa alma) com o cosmos (a realidade abrangente) numa conexão tangível, viva, que respira. Isto fica claro quando consideramos se as pessoas que rezam se voltam para o seu interior ou para fora, porque nesta prática cria-se um ‘eixo’ de sentido que conecta o mais interno com o mais externo, o abrangente”. Por mais chocante que tal possa ser, no dizer de Rosa esse ‘eixo’ surge também na escuta da música, e em particular do heavy metal (que, nos seus momentos-auge, abrirá conexão existencial com a vida, com o cordão umbilical do mundo – isto, sem colocar necessariamente em jogo uma deidade; a ambiguidade do registo de Harmut Rosa a este respeito faz, ainda, com que quando esta é incluída revista mais uma tonalidade de “energia” ou “força”; a hipótese agnóstica, digamos assim é, ainda, aventada – “o metal aceita a possibilidade do desastre e martela os seus riffs e solos contra ele” -, embora no conjunto deste ensaio não seja aquele à qual se emprestam, nem de longe nem de perto, mais recursos especulativos. Em qualquer caso, sentencia o autor: “a experiência musical pode converter-se numa experiência de Deus”).
A CIA via no rock’n’roll e na música rock uma arma secreta dos comunistas e o KGB, por seu turno, tomava-as como uma infiltração norte-americana: libertar e gerar energia concentrada – mormente, energia contra o estabelecido, o pré-determinado, o tradicional e tangível - eis uma das possibilidades de largo alcance e consequências culturais, sociais, políticas (diz-se que os concertos de rock desempenharam um papel na queda do muro de Berlim, sublinha o investigador – na mesma linha, os grupos de rock como relevantes na transmissão de ideais de libertação, criatividade, expressionismo, hedonismo no fazer cair de ditaduras, Bernardo Pires de Lima destacara tal experiência a leste no livro O lado B da Europa. Viagem às 28 capitais, Tinta da China, 2018, pp.159-189. Vide, em especial, o documentário de Jim Brown, Free Rock). Sem embargo, as mais das vezes a rebeldia do metaleiro – mas também a do ouvinte de jazz, blues, punk, etc., reclama o fã de metal - fica-se pelo concerto, não sendo inabitual descobri-lo a ordenar, muito disciplinadamente, álbuns numa tenda acoplada ao evento a que se deslocou - e a conformar-se, no dia seguinte, com a ordem social prévia (ao concerto).
O heavy metal, áspero, para ouvir com o volume elevado (se se quiser sentir todos os seus efeitos: “o metal não reprime nada: a alienação e a natureza distorcida da nossa existência, a morte são palpáveis, presentes nas letras e capas dos discos”), tem concertos nos quais os fãs se sentem arrepiados (desde logo, com a entrada muito ritualizada da banda em palco), pele de galinha, querem ser “chamados”, abraços fortes num mundo que parece ter desistido do contacto físico/material, intensificação física atingindo o clímax nos mosh pits e circle pits, resistência à perda cultural do hábito de se cantar em conjunto, olhos com lágrimas assentes as guitarras solistas de Michael Schenker, Adrian Smith ou John Petrucci, e que vêm algo como quase sagrado, roupas especiais para a ocasião como hábitos dos monges de outrora, longas viagens com percalços pelo meio (os sacrifícios), t-shirts que vociferam “o heavy metal é a minha religião” (nele, “a certeza de que alguém nos ouve e responde”, capaz de captar “a essência da fé sem fixar o seu objecto de forma teológica ou dogmática”, remissão, inclusive, à “esfera da mística”, na qual “o acesso intelectual fracassa” e o “encontro com o Outro existencial se dá”), os golpes da bateria chegam até ao estômago, vende os seus álbuns de uma assentada e não ao longo de muito tempo como anteriormente ocorria.
Não se poupando ao entusiasmo e à defesa genuína, à elaboração sistematizada e à especulação conceptual a propósito de uma paixão de toda a vida – o heavy metal, o qual se encontra espelhado na capa deste seu livro, em que surge caricaturado com todos os adereços próprios de quem segue as regras estritas de um verdadeiro aficionado, incluindo o gesto típico com os dedos, o malocchio que Ronnie James Dio aprendeu com a avó enquanto gesto mágico para afastar o mau olhado -, Harmut Rosa, um académico que assume, assim, um gosto menos convencional entre pares, teve “um êxito moderado” a convencer os seus interlocutores musicólogos do poder que atribui ao metal.
Pedro
Miranda
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