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AS MEMÓRIAS E A MEMÓRIA DE DIOGO FREITAS DO AMARAL

  As Memórias e a memória de Diogo Freitas do Amaral 1 .Em uma das conversas derradeiras com Mário Soares , Diogo Freitas do Amaral confidencia, não sem amargura, que não possui partido, nem dinheiro para criar uma Fundação que lute pelos ideais sociais de uma Democracia Cristã . 2 .No terceiro (e último) volume da sua auto-biografia (publicada pela Bertrand ), Freitas do Amaral assume uma mudança ou evolução do seu pensamento (ou, talvez melhor, a mudança de referências partidárias para se manter fiel ao seu pensamento), evolução essa muito marcada quer pela experiência na Assembleia-Geral das Nações Unidas – de onde possuiu um palco privilegiado para olhar a vida política norte-americana e a crescente radicalização do Partido Republicano , no que à falta de salvaguarda dos direitos sociais diz respeito, ainda durante os anos 90 – quer pelo estádio, em termos nacionais, de partidos com os quais se havia identificado intensamente, em especial desconcertado, no início deste sé...

BIOPOLÍTICA OU UM ELIXIR DEMASIADO NERVOSO. YUVAL NOAH HARARI

  Biopolítica ou um elixir demasiado nervoso. Yuval Noah Harari De acordo com Yuval Noah Harari, a nova ordem – felicidade, divindade, imortalidade – será só para alguns, e nos bairros mais sórdidos permanecerá a eterna luta com a pobreza, a doença e a violência. Era aqui que estávamos (e um recuo para o milésimo imediatamente anterior ao lugar onde agora nos inscrevemos pode ser extremamente revelador): a nova ordem felicidade, divindade, imortalidade – mesmo que não para todos; mas importava lá isso verdadeiramente? – ocupava, literalmente (os best-sellers eram estes), os espíritos (em devir, talvez, para memórias digitais), já desenganados de qualquer esforço de articular o humano com instrumentos outros que não o cálculo tecnocientífico e, neste, a redução à medicalização e à bio-engenharia, e sem grandeza adicional que não a da felicidade subsumida a uma qualquer hodierna declinação hedonista (sucesso, fama, poder), sem demasiada imaginação e mais ausente complexidade. E e...

"PRINCÍPIOS DE UMA POLÍTICA HUMANISTA": O DIA EM QUE DIOGO FREITAS DO AMARAL EVOCOU JACQUES MARITAIN, NA FERÍN

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  "PRINCÍPIOS DE UMA POLÍTICA HUMANISTA": O DIA EM QUE DIOGO FREITAS DO AMARAL EVOCOU JACQUES MRITAIN, NA FERÍN AGORA QUE A FERÍN, LIVRARIA HISTÓRICA, MAIS UMA, ESTÁ A ENCERRAR... No ciclo de conferências organizado por  José Ribeiro e Castro , "Política e Pensamento", aliás, muito meritório, a 18 de Novembro de 2012, na livraria  Ferin , em Lisboa, foi a vez de  Diogo Freitas do Amaral  reflectir sobre a obra  Princípios de uma política humanista , de  Jacques Maritain . Oportunidade para revisitar o conjunto de escritos do autor, alguma da sua biografia e o amplo movimento que esteve na génese do pensamento democrata-cristão, também, embora não demasiado, recebido em Portugal e, como, ainda hoje, o autor e o dito movimento, podem ser pertinentes. Os apontamentos que se seguem da intervenção de Freitas do Amaral são (quase) na íntegra  ipsis verbis , com pequeníssimas articulações sintácticas face aquele que foi um discurso, ou aula, sem utilizaç...

O QUE É O POPULISMO (?) (II) JAN-WERNER MULLER

  Em  O que é o populismo ,  Jan-Werner Muller  não distingue, como fazem  Cas Mude  e  Kasswalter , entre  democracia  e  democracia liberal : para este investigador o pluralismo é intrínseco à democracia, pelo que o  populismo  é adversário da democracia - ponto. Todavia, há muitos pontos de contacto entre a teorização deste investigador e a daqueles vindos de mencionar, sendo que Muller, por vezes, concretiza/explicita algumas consequências dos mesmos pressupostos: por exemplo, a ideia de que o  populista  encarna o "verdadeiro povo" tem, de facto, como consequência, que este não tem de prestar contas perante ninguém, não assume  responsabilidade política  perante outros órgãos do poder político (ou de outros poderes): só responde perante o povo (sendo que este, por sua vez, é desenhado pelo populista; "nós somos o povo e vós quem sois?", pergunta  Erdogan  aos seus compatriotas). Sendo o  ...

O QUE É O POPULISMO (?) (CAS MUDE E CRISTÓBAL KALTWASSER)

  O que é o populismo (?)   Aspectos problemáticos do uso do conceito de  populismo , tão presente na esfera pública, nos últimos dois anos (em especial), passam por este ser entendido em termos tão vagos, genéricos, onde tudo, ou quase tudo, parece caber (politicamente), podendo não permitir, afinal, descrever qualquer realidade política substantiva a que (supostamente) pretenderia referir-se, ou, ainda, dado o  vocábulo  adquirir (ter adquirido) o carácter instrumental de ferramenta lançada a quem se situa em outro pólo político (partidário, movimento social) de quem a utiliza, em assim se  des-substanciando  também. Em realidade, em diferentes partes do mundo,  populismo  significa coisas diferentes:  anti-imigração  e  xenofobia , na Europa;  clientelismo  e  má gestão económica , na América do Sul. Acresce que os políticos tido como  populistas  não se descrevem - não assumem a  qualifica...

APOROFOBIA. A REJEIÇÃO DO POBRE. UM DESAFIO PARA A DEMOCRACIA. ADELA CORTINA

  Para uma leitura de Aporofobia – a rejeição do pobre. Um desafio para a democracia , de Adela Cortina Adela Cortina é Professora Catedrática de Ética e Filosofia Política, na Universidade de Valência, autora com vasta obra publicada, e multipremiada, em Espanha e fora do seu país natal, sendo de destacar o Prémio Nacional de Ensaio , em 2014, distinguindo a obra “ Para que serve realmente a ética?” . Já após a publicação de Aporofobia – a rejeição do pobre , foi galardoada com prémios literários, na secção crítica e ensaio de Associações de Editores de Madrid - António de Sancha 2018 - e de Crítica Literária Valenciana . 1 .Será que existe mesmo uma "aversão natural" ao  estrangeiro , ao  diferente , ao  outro ? Em realidade, face aquele que vem de longe, de outra cultura, de outros costumes e hábitos, de outra etnia, de uma cor de pele diversa da que nos é mais comum (observar no nosso dia-a-dia), que frequenta outros templos diferentes daqueles de que nos ...