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Este Mundo não é Conclusão.
Um outro, mais além, existe -
Invisível, como a Música -
Mas real, como o Som -
Acena, e gera perplexidade -
A Filosofia nada sabe. -
E por fim, no meio do Enigma
Volteia, forçada, a Argúcia -
Resolvê-lo embaraça os estudiosos -
Para obtê-lo, homens sofreram
O desprezo de gerações
E apontaram para a Crucifixão -
A Fé resvala - e ri, e de novo se levanta -
Cora, se alguém vê -
Agarra-se a um galho de Prova
E pergunta o caminho a um Catavento -
Muitos Gestos, do alto do púlpito -
Troam, como rufos, fortes Aleluias -
Narcóticos não podem aquietar o Dente
Que mordisca a alma.

Emily Dickinson (citada por António Spadaro, em O baptismo da imaginação, 2016, p.86; "é possível evitar o problema recorrendo a narcóticos, e, entre estes, o principal reside justamente em não levantar o problema, em confiar-se a um divertido fatalismo. Mas a pergunta acerca do destino vive na vida de cada dia, joga-se dia a dia na relação concreta e limitada com as coisas. O destino nunca é evasão deste limite: é, quando muito, uma grande visão que abarca cada gesto nosso. O espaço das coisas é o lugar em que se joga e decide o sentido e o destino. Cada gesto, cada objecto está, se virmos bem, repleto e atulhado de destino. Se viver significa estabelecer uma relação com as coisas, então a pergunta que se segue é justamente esta: que relação entre mim e os objectos que estão diante de mim? Vejo-os dentro de um horizonte mais amplo de sentido e de «destino»? Como é que «habito» o mundo?")

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