LAUDATO SI. RAZÕES, A PARTIR DA FÉ CRISTÃ, PARA CUIDAR DA 'CASA COMUM'

 

Laudato Si. Razões, a partir da fé cristã, para cuidar da Casa Comum


1.O mundo é criado por Deus.


2.Logo, o mundo não é pertença do ser humano.

3.Este, o mundo, não se apresenta ao humano como objecto que pode ser dominado e destratado a eito, consoante apetites e humores demasiado humanos. Como é importante repropor o Deus Criador e Pai, renovando a consciência que evite a cultura do descarte (a nosso bel-prazer).

4.O humano deve, aliás, cooperar com a criação (contínua) e cuidar das demais criaturas que são, elas mesmas, pelo facto de existirem, glória a Deus.

5.Se a Natureza parece remeter para um sistema que se pode analisar, Criação aponta para um dom (gratuito que, portanto, nos é oferecido).

6.Apesar de todas as criaturas terem sido criadas por Deus, não têm todas o mesmo valor: o humano tem um lugar especial.

7.O lugar especial que o humano ocupa resulta de ter sido feito 'à imagem e semelhança de Deus', capaz de se conhecer, possuir, dar e entrar em comunhão com outras pessoas. Não é algo, mas Alguém. Possui, pois, uma grande dignidade, um grande valor. "O amor de Deus pelo ser humano confere-lhe uma dignidade infinita" (nº65)

8.Só Deus é santo.

9.Logo, se o humano não o é, não deve comportar-se como tal perante a Natureza, perante a criação. Não é, pois, admissível um antropocentrismo despótico. A indiferença ou crueldade com que tratamos outras criaturas de um modo ou outro poderá repercutir-se no modo como tratamos os humanos (nº92).

10.Mas a natureza também não é Deus. Não deve, pois, ser divinizada. Se o fosse, não seria frágil - como é - e não necessitaria da colaboração do humano - como necessita.

11.O cuidado com as demais criaturas, não deve, reitere-se, aceitar que todas têm o mesmo valor ("isto não significa igualar todos os seres vivos e tirar ao ser humano o seu valor peculiar que, simultaneamente, implica uma tremenda responsabilidade"; "às vezes nota-se a obsessão de negar qualquer preeminência à pessoa humana, conduzindo-se uma luta em prol das outras espécies que não se vê na hora de defender igual dignidade entre  os seres humanos. Devemos, certamente, ter a preocupação de que os outros seres vivos não sejam tratados de forma irresponsável, mas deveriam indignar-nos sobretudo as enormes desigualdades que existem entre nós, porque continuamos a tolerar que alguns se considerem mais dignos do que outros", nº90). Não é possível possuir-se um amor genuíno por toda a criação, se, na verdade, mais preocupados estamos com o tráfico de animais do que com o tráfico de seres humanos, ou com a situação dos pobres ("não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se, ao mesmo tempo não houver, no coração, ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos. É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que não gosta", nº91).

A partir do capítulo II da Laudato Si, do Papa Francisco.

[confrontar a recusa da divinização da natureza com os vários politeísmos que por aí surgem, os paradigmas new age, etc., bem como perceber a não igualização de todas as criaturas à luz da mundividência cristã, face, por exemplo, a autores que consideram este privilegiar como "especismo", como é o caso de Peter Singer]



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