VISITA À CASA-MUSEU ARISTIDES SOUSA MENDES
1. Na célebre ‘Circular 14’, as indicações aos cônsules eram claras: não passar vistos a pessoas de “nacionalidade indefinida”, a “apátridas”, a “judeus”, a “russos”…
2.Em se colocando sobre o dramático da situação concreta – desde logo, advertido pelo irmão gémeo (nascido, curiosamente, no dia anterior ao de Aristides), igualmente diplomata, vendo, em Varsóvia, onde se encontrava colocado em 1940, o agir nazi; sensibilizado, ainda, por um rabino a quem salvaria a vida, juntamente com a da sua família -, Aristides Sousa Mendes principia por escrever aquilo a que a guia que hoje nos levou pela Casa-Museu adentro chamaria “a carta da razão”, na qual se compromete a cumprir as ordens do Governo do Estado Novo…imediatamente antes de três dias em que entra em colapso nervoso a que sucede uma “carta do coração” em que assume, no que concretizaria, ir salvar a vida de milhares de pessoas – sobretudo, judeus, mas não apenas: também os que se opunham politicamente ao nacional-socialismo, os homossexuais, os ciganos, pessoas com o algum tipo de “deficiência”…
3.Ainda há 10 anos em profunda degradação, casa assaltada por diversas vezes, é muito bom constatar a exemplar recuperação da Casa-Museu Aristides Sousa Mendes, diplomata que nasce em família monárquica e que passa por 4 regimes diferentes, tendo 15 filhos e sendo profundamente católico, em Cabanas de Viriato, Carregal do Sal, Viseu e, bem assim, a justa aplicação de dinheiros públicos na recuperação de um património que simboliza e exemplifica o melhor de um ser humano.
4.Numa mesa, as armas de Aristides: caneta e carimbos. Na parede, a reprodução de quadro de homenagem: um justo entre as nações. Além, uma foto de Dalí e a mulher, apenas, porventura, a mais célebre das imensas famílias que Aristides resgatou de campos de concentração, da fome, do frio, da tortura, da morte…






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