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EUGÉNIO LISBOA E O UM ETERNO AMOR AOS LIVROS

  NO DIA EM QUE EUGÉNIO LISBOA NOS DEIXA, ETERNO É O SEU AMOR AOS LIVROS QUE NOS FICA "Há 4000 ou 5000 anos que os livros existem, de um formato ou de outro e feitos de um material ou de outro. Há quem diga que o mais antigo papiro apareceu 3000 anos antes de Cristo, no Egipto, feito a partir da planta com esse nome, que se criava, livremente, à beira do Nilo. Diz-se também, com aquela margem de reserva que, nestas coisas, deve ser de regra, que os primeiros editores de livros foram os gatos-pingados egípcios, que faziam e colocavam o Livro dos Mortos junto aos túmulos dos que se finavam, para que lhes servissem de Manual de Conduta no Além. Como já então se morria muito - havia menos gente mas, em comparação, morria-se mais cedo - é de presumir que o Livro dos Mortos tenha beneficiado de confortáveis tiragens: sabido como é que o mal de uns é, tantas vezes, a fortuna de outros. O livro foi-se tornando, cada vez mais, ao longo dos séculos, mais do que um instrumento de preservaçã...

SOBRE A PRAXE ACADÉMICA, EM PORTUGAL

  Praxe Fenómeno controvertido, desde há um bom par de anos, em Portugal, a temática da praxe académica mereceu um estudo sério e extenso, publicado pelo Professor Elísio Estanque ( Praxe e Tradições Académicas , FFMS , 2016). Ao dispor de qualquer cidadão interessado na matéria, mas, sobretudo, daqueles que lidam, ou irão lidar com a praxe fica, pois, um acervo de importantes elementos de análise histórica, simbólica e sociológica daquele ritual 1 . A praxe, de acordo com o historiador Paulo Archer de Carvalho significa, ainda hoje, "a sobrevivência simbólica de rituais de passagem, de presentificação e de hetero-conhecimento, balizadas por gestos que tentam assinalar a des-bestialização do aprendiz e a sacralização do ofício intelectual , partindo do princípio - consagrado na própria nomenclatura (o burro , a cabra , o chocalho , a "magna besta", etc.) - de que o ser humano é à nascença uma besta e que só pela formação intelectual ou espiritual se liberta dessa ...

O GRANDE CÓDIGO DA CULTURA OCIDENTAL

  O GRANDE CÓDIGO DA CULTURA OCIDENTAL Só sobre o episódio de Lázaro , e entre outros, desenharam e pintaram essa narrativa bíblica: Giotto (em 1300, agora exposta em Pádua); Juan Flandes , no século XVI (agora, quadro exposto no Museu do Prado); Sebastiano del Piombo , em 1500,com Miguel Ângelo (agora, exposto no Museu Britânico); Rembrandt , Van Gogh , Henry Tanner (em 1896, exposto no Museu d'Orsay, em Paris)... Na literatura, "Lázaro" ,conto de Leonid Andreyev , o poema "Lazarus", de Edwin Arlington Robinson , a peça de teatro "Lazarus and His Beloved", de Kahlil Gibran , a peça "Calvary", de William Butler Yeats , de 1921. A peça de Eugene O'Neill , de 1925, "Lazarus Laughed". Lázaro aparece no poema "The Love Song of J.Alfred Prufrock", de T.S. Eliot (1915); Sylvia Plath titulou o poema "Lady Lazarus" para falar de morte e ressurreição; o romance "Lazarus is Dead", de Richard Beard , bem ...

HANS KUNG: 'AQUILO EM QUE CREIO'

  Hans Kung. Aquilo em que creio Em Aquilo em que creio , um dos mais reconhecidos teólogos católicos do último meio século, recentemente falecido, em linguagem acessível ao grande público, percorre a indagação histórica, a Ocidente, sobre o sentido da vida, recusa a possibilidade de teodiceia e postula uma justiça final, de cariz escatológico, para os injustiçados na Terra 1 .Hans Kung, em Aquilo em que creio ( Temas e Debates , 2014), faz notar que a pergunta pelo sentido da vida é uma interrogação iminentemente moderna. Quer dizer, a questão, para os contemporâneos da Bíblia hebraica, do Novo Testamento ou da Idade Média, nem se colocava: Deus e os seus mandamentos, como desde tempos imemoriais, era a evidência da resposta, não necessitada de se requerer explicitamente. A comunidade (crente) apoiava e suportava tal fé; nenhuma razão, pois, para divisar um sentido específico para uma vida individual. 2 .O primeiro autor a colocar o problema é o jurista e teólogo João Calvi...

20 ANOS DO TEATRO DE VILA REAL

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  UM BRINDE AOS 20 ANOS DO TEATRO DE VILA REAL! MUITOS PARABÉNS! E que melhor prenda do que o concerto de piano desta noite, a quatro mãos, de Pedro Burmester e Mário Laginha , e a magnífica interpretação do 'Bolero', de Ravel , ou de peças repletas de melancolia e sensibilidade de Bernardo Sassetti ? Venham mais 20!

O "CADERNO AFEGÃO", DE ALEXANDRA LUCAS COELHO

  O caderno afegão , de Alexandra Lucas Coelho   Numa época em que nos enredamos em um torvelinho de notícias sucessivamente substituídas pela novidade seguinte (que logo abandonamos, também), convite a fixarmo-nos, com redobrada atenção, na realidade do Afeganistão – que, ainda há semanas, debatíamos de forma apaixonada, mas da qual, como quase tudo o mais, rapidamente parecemos cansados - que lá nos confins do mundo tem marcado a vida política internacional das últimas décadas.   Fazê-lo com recurso ao “Caderno afegão” (agora reeditado, pela Caminho), de Alexandra Lucas Coelho é aceitar entrar em um fascinante e complexo universo de signos contraditórios, tradições que desafiam qualquer quadro simplista, adentrarmo-nos no conhecimento aturado de uma história multisecular, abeirarmo-nos de uma paisagem física e humana de cortar a respiração. Tudo narrado por um olhar afiado, de lâmina – para utilizar os termos da autora - de uma extraordinária jornalista/escritora qu...

DIAS SEGUINTES

  DIAS SEGUINTES Vicente Valentim , investigador de Ciência Política na Universidade de Oxford , hoje, em entrevista à " Sábado " diz que " a razão principal que explica a explosão da direita radical não é o voto de protesto ": Para este investigador, é a "normalização" da extrema direita que explica a explosão de votos nela : " Havia pessoas que já tinham ideias de direita radical, mas que sentiam que não era bem-visto expressá-las e que agora se sentem confortáveis ". Sem ter soluções mágicas para travar a extrema-direita, o cientista político tem como claro aquilo que não funciona: "uma aproximação do centro-direita à direita radical. (...) O estudo mais abrangente que conheço mostra que não funciona para tirar votos à direita radical, nem para aumentar as forças do centro-direita. (...) No que toca à erosão das normas democráticas e ao que põe as pessoas mais à vontade para terem comportamentos xenófobos (...) Normaliza ainda mais [a ex...