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BREVE NOTA SOBRE AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

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BREVE NOTA SOBRE AS ELEIÇÕES PARA O PARLAMENTO EUROPEU 1 .Se a democracia só existe no interior de um Estado, ou a UE passa a Estado, ou a democracia, tal como a conhecemos, conhece uma mutação, ou, então, o défice democrático no interior da União continua a ser uma questão. A anotação é de Nuno Sampaio (“Eleições na União Europeia”, FFMS, 2019). Segundo o autor, as eleições europeias, para se usar o jargão da ciência política, são, ainda, vistas, como «eleições nacionais de segunda ordem»; não existe uma esfera pública europeia, mas um conjunto de esferas públicas (nacionais) paralelas; entende que uma democracia transnacional global - pese a dimensão liberal ínsita na dimensão de igualdade entre todos os homens - permanece uma utopia dificilmente concretizável; observa que, embora os Tratados da UE falem, eles mesmos, de democracia como requisito de adesão de um país à UE, tem-se assistido a tensões com a emergência de «democracias iliberais», com sucessivas advertências a governos ...

TERTÚLIA, NA 'GOMES', EM VILA REAL, COM MANUEL PIZARRO E GONÇALO LOBO XAVIER: PORTUGAL E A EUROPA (E O 25 DE ABRIL NISSO)

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  NO ‘ DIA DA EUROPA ’, NOITE DE TERTÚLIA , NA ‘ GOMES ’, SOBRE A RELAÇÃO PORTUGAL-EUROPA E O 25 ABRIL NISSO , PROMOVIDA PELA CCDR NORTE , COM MANUEL PIZARRO E GONÇALO LOBO XAVIER , MODERADOS POR LUÍSA PINTO - Um cidadão presente nesta sessão, economista de formação, tendo trabalhado na 'Comissão Europeia', afiançou que, nos debates públicos portugueses acerca da nossa relação com a Europa “ concentramo-nos demasiado nos fundos estruturais, quando [por exemplo] há decisões comerciais a nível internacional que são muito mais importantes [impactantes economicamente no nosso país do que aqueles fundos]. Os fundos estruturais são importantes, mas, em termos macroeconómicos, não são nada do outro mundo ”, sentenciou, dando um exemplo gráfico que marcou de modo impressivo: o envelope financeiro que Portugal solicitou, de empréstimo, à 'troika' foi o equivalente ao que Portugal recebera, até então (2011), desde 1986, dos fundos estruturais europeus. Grave, para o nosso país, ...

NO FESTIVAL LITERÁRIO INTERNACIONAL DE MURÇA, O "PORCA DE LÁPIS"

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  NO FESTIVAL LITERÁRIO INTERNACIONAL DE MURÇA , O "PORCA LÁPIS", NO PASSADO SÁBADO, PARA A MESA REDONDA "CAMINHOS PARA A PAZ" - Depois do Coronel José Oliveira ter realizado uma exposição sobre Operações de Paz – para a existência das quais i) é necessário o consentimento das partes e uma atuação das forças que irão manter a ordem que seja imparcial ; ii) tem que existir um mandato específico no qual é indicado qual o final esperado /que se visa com a actuação das Forças da Ordem mandatadas; iii) a Força da ordem no terreno não existe para ser a favor de uma parte ou contra outra ; iv) procura-se, com aquelas Operações, criar um ambiente seguro no teatro de operações -, na qual sinalizou que hoje temos 7 Operações de Paz das Nações Unidas espalhadas pelo mundo, muitas das quais desde há décadas, estando, agora, nelas envolvidos 53 mil militares (tendo chegado a ser mais de 100 mil), sendo que no âmbito das Operações de Paz da União Europeia temos um portug...

MEDICINA E LITERATURA - REVISÕES DE UMA RELAÇÃO (NO FESTIVAL LITERÁRIO DOURO 2024)

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  LITERATURA E MEDICINA (NO FESTIVAL LITERÁRIO DOURO 2024 ) Depois de Clara Rocha ter, de modo muito sistemático, contextualizando na literatura portuguesa, desde as Cantigas de Escárnio e Maldizer até João Luís Barreto Guimarães , três modos essenciais de problematizar e situar a relação entre Medicina e Literatura (nomeadamente, nos grandes Textos da Literatura Portuguesa) i) quais e quem foram os médicos escritores portugueses, ao longo dos séculos ; ii) os médicos enquanto objecto da nossa literatura, tomados, pois, na perspectiva de personagens literários (que também se tornaram) ; iii) o tratamento que a doença mereceu, nas letras portugueses, até aos nossos dias , de modo bem humorado – portanto, não melancólico [humor negro] – Manuel Sobrinho Simões assinalou que a expressão badameco se forjou a partir da glosa dos estudantes de medicina que sempre traziam consigo o vade-mécum . Sempre entre sorrisos e boa disposição, Sobrinho Simões assinalou que a aspiração mais p...

SOB O SIGNO DA LIBERDADE: HÉLIA CORREIA, NA ABERTURA DA VI EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO DO DOURO

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  SOB O SIGNO DA LIBERDADE: HÉLIA CORREIA, NA ABERTURA DAS VI EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO DO DOURO, NO ESPAÇO MIGUEL TORGA, EM SÃO MARTINHO DE ANTA Da conferência de Hélia Correia, hoje, ao fim da tarde, perante um auditório com mais de meia centena de cidadãos, algumas notas do que nos disse: - Não é, apenas, que a imagem da democracia como planta que precisa de ser sistematicamente regada, às tantas, se gasta; é que “a democracia não é uma planta, porque não é natural”; a democracia é, antes, artificial, quer dizer, é obra humana, servida pela arte, pela palavra, como as tragédias em Atenas. “A democracia não está no ambiente, não é imagem do mar, das florestas, dos animais: é uma construção da inteligência e da bondade humanas”; elaboração da nossa mente sempre ameaçada pelos “impulsos bárbaros da selva”; em suma, “se nos basta um regador, um dia acordamos amarrados”; - A isonomia - igualdade de todos perante a lei - e a rotatividade do poder , todos os cargos a poderem/de...

A NORMALIZAÇÃO DA DIREITA RADICAL

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  Sobre a normalização da direita radical 1 .As consequências, em sangramento de vidas e em tratamento profundamente desumano de milhões de pessoas, em regimes - totalitários , autoritários , ditatoriais , no século XX, em diferentes partes do mundo - assentes em ideologias nas quais o racismo , o nacionalismo ou a xenofobia tinham lugar preponderante fizeram com que ideias, crenças, preferências políticas e sociais deste jaez ( extrema-direita e/ou direita radical* ) se tornassem interditos do/no espaço público. 2 .Assim, e face aos padrões sociais vigentes, a expressão de preferências políticas e sociais de tipo racista ou xenófobo , por exemplo, passou a merecer séria censura (social). Em face da mesma, procurando evitá-la, evadindo-se de recriminações , quer em contexto de inquéritos sociais (de tipo científico ), quer em conversações em grupos minimamente alargados, quase todos os cidadãos, em diferentes países, abstinham-se de indicar qualquer filiação em mundividênc...

TEATRO, POLÍTICA, PAÍS

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  Ontem, um salto ao Porto, para assistir, no Teatro Nacional de São João , a "Fado Alexandrino", o tour de force de Nuno Cardoso , a partir do romance homónimo de António Lobo Antunes . O antes, o durante e o depois da Revolução de Abril de 74, numa peça e num livro que terminam a perguntar, muito filosoficamente, se somos mais nós que mudamos o mundo, ou este que nos muda mais a nós.