UMA PLENITUDE NÃO DELICODOCE
Uma Plenitude não delicodoce 1.A Rosalía fora assídua e pontual como se dizia na caderneta da minha infância, sabia-a militante e acólita e, embora não fossemos, já, companheiros de ano letivo, abeirei-me, envolto em fraternidades e em simultâneos cuidados que aprendi (necessários) com alguns meninos quando passa(ra)m dos quinze anos – “parte-se” -, e perguntei-lhe, então, num intervalo em que a vi a um canto, sossegada, no recreio: “ queres vir à prisão? Vamos meditar, juntamente com os detidos que quiserem participar, numa Via Sacra para a qual foram feitas reflexões por um padre que trabalhou em prisões de África. São textos fortes que incidem sobre a vida das pessoas que estão atrás das grades”. Ainda ecoa em mim, com a memória de um certo espanto e desconforto (por insuficiente ponderação instantânea minha, reconheço), a resposta que lhe saiu espontânea e expressiva: “ Creeeedo!! Eu tenho medo deles!! ”. Confesso que o primeiro pensamento que me ocorreu não foi o de um...